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Hotel Manta é arrematado por mais de R$ 18 milhões em leilão judicial em Pelotas

Prédio histórico localizado no Centro foi disputado por dois interessados e recebeu 165 lances. Recursos da venda serão destinados ao pagamento de dívidas da massa falida, incluindo obrigações trabalhistas.

O prédio do tradicional Hotel Manta, localizado na região central de Pelotas, foi arrematado por R$ 18.096.000,00 durante um leilão judicial realizado na quarta-feira, 21 de outubro. A negociação marcou uma nova etapa para um dos empreendimentos mais conhecidos da história da hotelaria do município, que encerrou suas atividades em maio deste ano após enfrentar dificuldades financeiras e ter a falência decretada pela Justiça.

A venda ocorreu durante a segunda etapa do leilão, depois que a primeira tentativa, realizada em 14 de outubro, terminou sem interessados. Na nova rodada, o valor mínimo para participação foi reduzido para R$ 9.076.000,00, equivalente à metade da avaliação inicial do imóvel.

A disputa envolveu dois interessados e registrou 165 lances ao longo de aproximadamente uma hora e quarenta minutos. O valor final ficou próximo da avaliação original de R$ 18.152.000,00, representando uma diferença de apenas R$ 56 mil.

O resultado chamou a atenção pelo valor alcançado e pela importância histórica do empreendimento para a cidade. A negociação também representa um avanço no processo de falência da antiga rede hoteleira, especialmente diante da expectativa dos ex-funcionários pelo recebimento de valores trabalhistas.

Prédio possui 108 apartamentos e mais de 5,7 mil metros quadrados

Fundado em 1957, o Hotel Manta tornou-se uma referência da hotelaria em Pelotas, recebendo hóspedes de diferentes regiões do Brasil ao longo de décadas de funcionamento.

O edifício está situado na rua General Neto, entre as ruas Andrade Neves e General Osório, em uma das regiões mais movimentadas do Centro.

Conforme as informações do processo judicial, o imóvel possui aproximadamente 5,7 mil metros quadrados de área construída, distribuídos em 19 pavimentos, incluindo subsolo e demais dependências.

A estrutura contempla 108 apartamentos, recepção, restaurante, bar, espaços para reuniões e eventos, piscina, estacionamento no subsolo e heliponto.

O lote levado a leilão também inclui bens móveis que permaneceram no estabelecimento, como mobília, utensílios, equipamentos de cozinha e outros itens vinculados à antiga operação hoteleira.

A estrutura física e a localização central fizeram do empreendimento um dos principais patrimônios comerciais ligados ao setor de hospedagem da cidade.

Apesar do arremate, ainda não há confirmação de qual será a utilização futura do imóvel. A possibilidade de reabertura como hotel, a realização de reformas ou a destinação do prédio para outra atividade dependerão dos planos do comprador e das autorizações eventualmente necessárias.

Fechamento ocorreu após dificuldades financeiras

O Hotel Manta encerrou suas atividades em maio de 2026, após o agravamento da situação financeira das empresas responsáveis pelo empreendimento.

Antes do encerramento, o grupo havia buscado alternativas para reorganizar suas dívidas por meio de um processo de recuperação judicial. Entretanto, o plano apresentado não obteve aprovação dos credores, e a Justiça decretou a falência.

Com isso, os imóveis e os demais bens vinculados à massa falida passaram a integrar os procedimentos destinados à obtenção de recursos para o pagamento das obrigações financeiras pendentes.

A alienação judicial do patrimônio foi uma das medidas adotadas para transformar os bens das empresas em recursos que possam ser distribuídos entre os credores, conforme os critérios estabelecidos pela legislação e pelas decisões judiciais.

A venda do prédio representa, portanto, um acontecimento importante não apenas para o mercado imobiliário, mas também para os trabalhadores e demais pessoas que possuem valores a receber da antiga rede.

Ex-funcionários aguardam pagamento de direitos trabalhistas

Um dos principais desdobramentos esperados com o leilão é o pagamento das verbas devidas aos trabalhadores que perderam seus empregos após o encerramento das atividades.

Segundo informações divulgadas pelo Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Turismo e Hospitalidade de Pelotas (Sintraturhpel), aproximadamente 40 profissionais foram diretamente afetados pelo fechamento do Hotel Manta.

A entidade acompanha a situação e considera a venda do imóvel uma etapa importante para viabilizar o pagamento dos créditos trabalhistas.

Estimativas divulgadas anteriormente pelo sindicato apontavam cerca de R$ 500 mil em verbas rescisórias pendentes, valor que depende da apuração e do reconhecimento dos créditos no processo.

Embora o arremate tenha alcançado mais de R$ 18 milhões, isso não significa que os valores serão imediatamente repassados aos trabalhadores.

O dinheiro arrecadado deverá ser destinado à conta judicial vinculada ao processo de falência e distribuído de acordo com a ordem legal de preferência dos credores, após o cumprimento dos procedimentos necessários.

Os créditos trabalhistas possuem prioridade prevista na legislação, observadas as condições e os limites aplicáveis.

Pagamento será realizado de forma parcelada

Conforme as condições divulgadas sobre a negociação, o arrematante deverá realizar uma entrada correspondente a 25% do valor da compra.

O restante poderá ser quitado em até 30 parcelas, de acordo com as condições estabelecidas no leilão judicial. Também há previsão de comissão de 5% ao leiloeiro responsável pelo procedimento.

O certame foi conduzido pelo leiloeiro Giancarlo Peterlongo, no âmbito do processo de falência que tramita na Justiça gaúcha.

A conclusão do arremate é uma etapa importante, mas a efetiva transferência do patrimônio depende do cumprimento das condições legais e processuais.

A negociação também movimenta expectativas em relação ao futuro de um prédio de grande porte localizado em uma área estratégica de Pelotas.

Tourist Parque Hotel continua em processo de leilão

Diferentemente do Hotel Manta, o Tourist Parque Hotel, outro empreendimento pertencente à antiga rede hoteleira, não recebeu propostas suficientes para concretizar a venda na segunda etapa do leilão, encerrada em 21 de outubro.

Localizado às margens da BR-116, o imóvel foi inicialmente avaliado em R$ 9.313.000,00. Na segunda rodada, o lance mínimo foi reduzido para R$ 4.656.500,00.

Sem arrematante naquela etapa, uma terceira rodada foi programada para o dia 28 de outubro de 2026.

O Tourist Parque Hotel possui uma ampla área de terreno e estrutura voltada à hospedagem e à realização de atividades comerciais e de lazer.

A negociação também integra o processo judicial de alienação dos bens da massa falida e poderá contribuir para o pagamento de outras obrigações financeiras da antiga rede.

Futuro do Hotel Manta ainda depende dos novos proprietários

A venda do Hotel Manta encerra uma etapa importante da trajetória recente do estabelecimento, mas também abre questionamentos sobre a utilização futura da estrutura.

Por sua localização, dimensão e importância histórica, o imóvel possui potencial para diferentes atividades econômicas, embora nenhum projeto específico de reaproveitamento tenha sido oficialmente confirmado.

A possibilidade de recuperar a atividade hoteleira e gerar novos empregos dependerá das decisões empresariais do comprador, das condições do prédio e das exigências legais.

Enquanto isso, a prioridade do processo judicial permanece relacionada ao cumprimento das obrigações da massa falida e ao pagamento dos credores.

O arremate por mais de R$ 18 milhões representa um dos acontecimentos de destaque do mercado imobiliário de Pelotas neste mês de outubro, envolvendo um empreendimento que fez parte da história econômica e turística do município durante quase sete décadas.

Fontes: Giancarlo Peterlongo Leilões, GZH Zona Sul e A Hora do Sul.

Pelotas Notícias — Informação com responsabilidade.

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