
CEEE Equatorial registrou oito furtos nos primeiros 20 dias do mês. Criminosos chegaram a derrubar um poste com motosserra para retirar a fiação, dificultando o restabelecimento da energia elétrica.
O município de São José do Norte, na Zona Sul do Rio Grande do Sul, enfrenta uma sequência de furtos de cabos da rede elétrica que tem provocado interrupções prolongadas no fornecimento de energia para moradores de diferentes localidades, especialmente no interior.
Conforme levantamento divulgado pela CEEE Equatorial, entre os dias 1º e 20 de outubro foram registradas oito ocorrências de furto de materiais da rede de distribuição. Somados os impactos dessas ações criminosas, aproximadamente 11 mil clientes foram afetados por interrupções no fornecimento de eletricidade.
Os registros representam um crescimento expressivo em comparação com o mesmo período de 2025, quando haviam sido contabilizados três furtos, com três clientes afetados.
As ocorrências se concentram principalmente nas localidades de Bojuru e Estreito, onde os criminosos têm agido repetidamente, danificando estruturas e retirando cabos utilizados na distribuição de energia elétrica.
Segundo a concessionária, os furtos registrados durante outubro provocaram algumas das interrupções mais prolongadas do mês no município, uma vez que a recuperação do sistema exige serviços de reconstrução e substituição de equipamentos.
Criminosos chegaram a derrubar poste com motosserra
Entre as situações relatadas pela distribuidora está uma ocorrência em que os responsáveis utilizaram uma motosserra para derrubar um poste e conseguir retirar a fiação elétrica.
A ação provocou danos à estrutura de distribuição, exigindo intervenções mais complexas das equipes responsáveis pela manutenção.
Outro caso foi registrado na madrugada de quarta-feira (21), na localidade de Bojuru, às margens da rodovia que atravessa a região. Na ocasião, aproximadamente 600 metros de cabos foram furtados.
A mesma localidade já havia sido alvo de outro furto cinco dias antes, demonstrando a repetição das ocorrências em determinados trechos da rede.
De acordo com a CEEE Equatorial, os episódios de maior impacto foram registrados nas sextas-feiras, dias 9 e 16 de outubro.
Os casos foram comunicados aos órgãos policiais, responsáveis pela investigação e pela identificação dos envolvidos.
Além do prejuízo causado pela retirada dos materiais, os crimes comprometem postes, conexões e outros componentes necessários ao funcionamento da infraestrutura elétrica.
Reposição de equipamentos dificulta retorno da energia
Diferentemente de algumas interrupções provocadas por defeitos pontuais, os furtos de cabos podem exigir a reconstrução de trechos inteiros da rede elétrica.
As equipes precisam avaliar os danos, identificar os componentes comprometidos, providenciar novos materiais e realizar os procedimentos técnicos necessários para restabelecer a distribuição com segurança.
Em determinadas localidades do interior, o acesso às estruturas também pode apresentar dificuldades, especialmente em áreas rurais ou regiões afetadas por condições climáticas desfavoráveis.
O trabalho envolve profissionais especializados e equipamentos adequados para a execução dos serviços.
Por esse motivo, a recuperação do sistema pode demandar mais tempo quando os criminosos retiram grandes extensões de fios ou comprometem estruturas de sustentação.
As interrupções prolongadas podem gerar transtornos para famílias, estabelecimentos comerciais e atividades produtivas que dependem do fornecimento regular de energia elétrica.
A concessionária destaca que o restabelecimento precisa respeitar protocolos de segurança para evitar acidentes durante as intervenções.
São José do Norte está entre os municípios com mais furtos na região
Conforme o levantamento da CEEE Equatorial, São José do Norte ocupa a terceira posição entre os municípios da regional Sul com maior número de furtos de materiais da rede elétrica em 2026.
A cidade aparece atrás de Rio Grande e Pelotas em quantidade de ocorrências, mas registrou o maior número de clientes afetados pelos furtos durante outubro.
A situação chama atenção pelo crescimento dos registros e pelo impacto sobre a população, principalmente após dois meses marcados por temporais que também comprometeram a infraestrutura elétrica da região.
Durante agosto e setembro, municípios da Zona Sul enfrentaram eventos climáticos intensos, com ventos fortes, quedas de árvores e danos em equipamentos de distribuição.
Em Rio Grande, por exemplo, as rajadas chegaram a 113,7 quilômetros por hora durante um dos episódios de instabilidade.
O furto de cabos passou, portanto, a representar um problema adicional para uma rede que já havia enfrentado danos relacionados às condições meteorológicas.
Cabos de cobre são alvos dos criminosos
Um dos fatores associados à repetição desses crimes é o valor comercial do cobre, material utilizado em diferentes componentes das redes elétricas.
Em áreas litorâneas, como São José do Norte, determinadas estruturas utilizam cabos de cobre devido à maior resistência à corrosão provocada pela salinidade.
Essa característica também torna os materiais atrativos para o comércio ilegal de metais.
A retirada e a comercialização clandestina desses equipamentos causam prejuízos ao sistema de distribuição e podem comprometer diretamente o abastecimento de energia para comunidades inteiras.
Para enfrentar o problema, a CEEE Equatorial informa utilizar uma tecnologia de rastreamento baseada em nanotecnologia, capaz de auxiliar na identificação da origem de materiais encontrados em ferros-velhos e estabelecimentos de reciclagem.
A ferramenta busca apoiar os órgãos de segurança na identificação de materiais furtados e na responsabilização de envolvidos na receptação e comercialização ilegal.
Até agosto de 2026, a concessionária havia participado de 384 ações integradas de fiscalização e segurança no Rio Grande do Sul, que resultaram em 136 prisões.
Furto de fios também representa risco de morte
Além dos prejuízos financeiros e dos transtornos provocados pela falta de eletricidade, a distribuidora alerta para os riscos à segurança da população.
Cabos rompidos ou caídos no chão podem permanecer energizados, mesmo quando apresentam sinais de dano ou aparentemente não estão em funcionamento.
O contato com esses materiais pode provocar choques elétricos graves e até acidentes fatais.
A recomendação é que moradores nunca toquem em fios caídos, não tentem remover equipamentos danificados e mantenham distância de qualquer estrutura elétrica que apresente sinais de comprometimento.
Em situações de risco, a população deve comunicar imediatamente a concessionária e, quando necessário, acionar os órgãos de emergência.
A distribuidora também reforça a importância do registro de protocolos sempre que houver interrupção no fornecimento, principalmente em localidades rurais, onde a informação encaminhada pelos moradores pode ajudar na identificação inicial das ocorrências.
Saiba como denunciar furtos e solicitar atendimento
A CEEE Equatorial orienta que qualquer informação sobre furtos de cabos, movimentações suspeitas ou comercialização irregular de materiais da rede elétrica seja comunicada aos órgãos competentes.
As denúncias podem ser realizadas pelos seguintes canais:
- Brigada Militar: 190
- Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública: 181
- Disque-Denúncia da Polícia Civil: 197
- Central de Atendimento da CEEE Equatorial: 0800 721 2333
Para registrar interrupções no fornecimento de energia, solicitar serviços ou obter informações sobre atendimentos, os consumidores também podem utilizar os canais oficiais da distribuidora.
WhatsApp Clara: (51) 3382-5500
Site oficial: www.equatorialenergia.com.br
Central de Atendimento: 0800 721 2333
Aplicativo: Equatorial Energia, disponível para Android e iOS.
A colaboração da comunidade é considerada fundamental para identificar furtos, impedir a receptação de materiais e reduzir os impactos dos crimes sobre o fornecimento de energia elétrica.
Enquanto as investigações e os trabalhos de manutenção continuam, os registros de outubro demonstram a dimensão dos prejuízos causados pelos furtos de cabos em São José do Norte e a necessidade de proteção da infraestrutura responsável pelo abastecimento das comunidades.
Fonte: CEEE Equatorial.
Crédito das imagens: CEEE Equatorial.
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