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MPRS denuncia sete policiais militares por morte de agricultor e tentativa de homicídio contra esposa em Pelotas

MPRS denuncia sete policiais militares por morte de agricultor e tentativa de homicídio contra esposa em Pelotas

Investigação aponta erro na identificação de propriedade rural durante operação realizada em janeiro de 2026. Ministério Público pede julgamento pelo Tribunal do Júri, perda dos cargos públicos e indenização aos familiares da vítima.

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) apresentou à Justiça, nesta sexta-feira (23 de outubro), denúncia contra sete policiais militares envolvidos na operação que terminou com a morte do agricultor Marcos Daniel Nörnberg, de 48 anos, e colocou em risco a vida de sua esposa. O episódio ocorreu na madrugada de 15 de janeiro de 2026, em uma propriedade rural localizada na Cascata, interior do município de Pelotas.

Os policiais foram denunciados pelos crimes de homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificada. Conforme o Ministério Público, as investigações identificaram uma grave falha na localização do imóvel que deveria ser alvo da operação, fazendo com que os agentes chegassem à residência da família Nörnberg.

A denúncia foi apresentada pelo promotor de Justiça Frederico Carlos Lang, responsável pelo acompanhamento do caso na esfera criminal.

Dos sete policiais denunciados, três participaram da identificação da propriedade que seria alvo da operação e quatro atuaram diretamente na intervenção que resultou nos disparos.

Segundo a investigação conduzida pela Polícia Civil, o agricultor foi atingido por oito tiros de fuzil de uso restrito. A esposa dele, que estava na propriedade durante a ação, sobreviveu e também foi reconhecida como vítima na denúncia apresentada pelo Ministério Público.

O MPRS solicita que os envolvidos sejam submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri, além de requerer a perda dos cargos públicos e a fixação de indenização aos familiares da vítima.

Investigação aponta erro na identificação da propriedade

De acordo com as informações divulgadas pelo Ministério Público, a operação policial tinha como objetivo localizar integrantes de um grupo investigado pela prática de roubos.

As diligências foram organizadas a partir de informações obtidas com pessoas que estavam presas no Paraná. Durante o planejamento, policiais militares buscaram identificar uma propriedade rural que seria utilizada pelos suspeitos.

Entretanto, a investigação posterior concluiu que ocorreu uma grave falha técnica na identificação do endereço.

Em consequência desse erro, os agentes chegaram à propriedade da família Nörnberg, na localidade da Cascata.

A presença dos policiais durante a madrugada e os disparos efetuados na residência passaram a integrar uma investigação que mobilizou diferentes órgãos de segurança e Justiça ao longo de 2026.

A Polícia Civil analisou os acontecimentos, reuniu depoimentos, examinou informações técnicas e utilizou elementos periciais para reconstruir a dinâmica da operação.

Entre os pontos investigados estavam a origem das informações utilizadas no planejamento, a atuação dos agentes responsáveis pela identificação do imóvel e as circunstâncias em que os policiais realizaram os disparos.

Agricultor foi atingido por oito tiros

Conforme a apuração da Polícia Civil, Marcos Daniel Nörnberg foi atingido por oito disparos de arma de fogo durante a intervenção policial.

A investigação apontou que os policiais efetuaram disparos antes de uma eventual reação do agricultor, contrariando a versão de legítima defesa apresentada pelos envolvidos.

A análise das provas reunidas levou a Polícia Civil a concluir que a tese de legítima defesa não encontrou sustentação nos elementos da investigação.

O caso também contou com exames periciais e trabalhos destinados à reconstrução da sequência dos acontecimentos, incluindo a análise da dinâmica dos disparos.

A esposa do agricultor estava na residência no momento da operação e sobreviveu à ação.

A denúncia do Ministério Público considera que ela também foi vítima de uma tentativa de homicídio, o que amplia as acusações relacionadas à atuação dos policiais naquela madrugada.

As conclusões da investigação serão submetidas à análise judicial, assegurando aos denunciados o direito de contestar as acusações e apresentar suas provas.

Ministério Público aponta qualificadoras

Além dos crimes de homicídio e tentativa de homicídio, o MPRS incluiu na denúncia circunstâncias qualificadoras relacionadas à forma como a ação teria ocorrido.

Uma delas envolve o emprego de arma de fogo de uso restrito.

Outra diz respeito ao recurso que teria dificultado a defesa das vítimas, considerando as circunstâncias em que os policiais ingressaram na propriedade.

Segundo a acusação, a família foi surpreendida durante a madrugada, no interior da residência, situação que teria reduzido suas possibilidades de reação ou fuga.

O Ministério Público sustenta que esses elementos justificam a imputação dos crimes qualificados.

A caracterização definitiva das condutas e a responsabilidade penal dos denunciados dependerão do andamento do processo e das decisões da Justiça.

Sete policiais foram denunciados

A denúncia apresentada nesta sexta-feira estabelece a participação atribuída a cada grupo de policiais na operação.

Conforme o promotor Frederico Carlos Lang, três dos denunciados participaram da identificação do endereço e outros quatro atuaram diretamente na execução da ação que resultou nos disparos.

A distinção é considerada relevante para a individualização das condutas investigadas, uma vez que a acusação busca esclarecer tanto as falhas na preparação da operação quanto os acontecimentos registrados no interior da propriedade.

O oferecimento da denúncia representa uma nova etapa do caso, após a conclusão da investigação conduzida pela Polícia Civil.

O Ministério Público também requer que os sete policiais sejam julgados pelo Tribunal do Júri, responsável pelos processos que envolvem crimes dolosos contra a vida, quando presentes os requisitos legais.

Além da responsabilização criminal, a denúncia solicita a perda dos cargos públicos e indenização aos familiares do agricultor.

Esses pedidos ainda dependerão de apreciação judicial e não representam decisões já tomadas.

Caso também foi investigado pela Justiça Militar

A morte do agricultor motivou investigações em diferentes esferas desde janeiro.

Além do inquérito conduzido pela Polícia Civil, a Brigada Militar instaurou um procedimento próprio para apurar a atuação dos policiais envolvidos na operação.

O inquérito policial militar concluiu inicialmente pela inexistência de crimes militares.

Posteriormente, em abril de 2026, o Ministério Público apontou indícios de abuso de autoridade e elementos relacionados à possível prática de tortura psicológica contra a esposa do agricultor.

Na ocasião, a 2ª Promotoria de Justiça Militar solicitou o aprofundamento da investigação e a realização de novas diligências.

As duas linhas de apuração envolveram diferentes atribuições institucionais, considerando tanto a possível ocorrência de crimes comuns quanto aspectos relacionados à atuação funcional dos policiais.

Com o avanço das investigações da Polícia Civil, novos elementos foram reunidos para esclarecer a dinâmica da operação realizada na propriedade rural.

Denúncia será analisada pela Justiça

Com a apresentação da denúncia, caberá ao Poder Judiciário analisar os elementos apresentados pelo Ministério Público e decidir sobre o prosseguimento da ação penal.

Caso a denúncia seja recebida, os acusados poderão apresentar suas defesas e participar das etapas processuais previstas na legislação.

O pedido de julgamento pelo Tribunal do Júri também estará sujeito à análise judicial, conforme o desenvolvimento do processo.

É importante destacar que a denúncia apresentada pelo Ministério Público constitui uma acusação formal e não significa que os sete policiais militares tenham sido condenados.

A responsabilidade criminal individual deverá ser estabelecida mediante o devido processo legal, com observância do contraditório e da ampla defesa.

A morte de Marcos Daniel Nörnberg permanece como um dos casos de maior repercussão envolvendo atuação policial na Zona Sul do Rio Grande do Sul em 2026.

A nova etapa judicial deverá examinar as circunstâncias que levaram os agentes à propriedade da família, o planejamento da operação, a realização dos disparos e a responsabilidade atribuída a cada um dos denunciados.

Fonte: Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS).

Fonte complementar: GZH, reportagem publicada em 23 de outubro de 2026.

Crédito da imagem: Reprodução de câmeras de segurança.

Portal Pelotas Notícias

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