
Monitoramento iniciado em dezembro de 2025 também registrou 32 animais resgatados com vida e encaminhados para atendimento especializado
Desde dezembro de 2025, pelo menos 1.251 pinguins-de-Magalhães foram encontrados mortos ao longo das praias do litoral Sul do Rio Grande do Sul. Os dados são do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Pelotas Sul (PMP-BPS), responsável pelo acompanhamento sistemático da fauna marinha na região.
No mesmo período, outras 32 aves foram localizadas com vida pelas equipes de monitoramento. Os animais foram resgatados e encaminhados ao Centro de Recuperação de Animais Marinhos da Universidade Federal do Rio Grande (Cram/Furg), onde passam por avaliação veterinária e recebem os cuidados necessários para uma possível reabilitação.
A maioria dos pinguins encontrados nas praias é formada por animais juvenis que realizavam sua primeira migração. Durante o deslocamento, as aves percorrem longas distâncias pelo Oceano Atlântico em busca de alimento e podem chegar à costa brasileira debilitadas, desidratadas ou com dificuldades para continuar a viagem.
Os pinguins-de-Magalhães vivem principalmente na região da Patagônia e realizam movimentos migratórios sazonais. Parte dos animais segue em direção ao litoral brasileiro durante os meses mais frios, acompanhando correntes marítimas e áreas com maior disponibilidade de alimento.
No entanto, os indivíduos mais jovens podem enfrentar dificuldades durante esse percurso. A falta de experiência, a escassez de alimento, as mudanças nas condições do mar e o desgaste físico são fatores que podem contribuir para que alguns animais sejam levados pelas correntes até as praias.
Causas ainda são investigadas
Entre as principais causas analisadas pelos pesquisadores estão a debilidade provocada pela longa migração, a captura acidental em redes de pesca e possíveis fatores ambientais.
A interação com atividades pesqueiras representa um dos riscos enfrentados pelas aves marinhas. Ao buscar alimento, os pinguins podem ficar presos em redes e sofrer ferimentos ou morrer por afogamento.
As condições meteorológicas e oceanográficas também podem influenciar o deslocamento e a sobrevivência dos animais. Alterações nas correntes, na temperatura da água e na disponibilidade de alimento podem aumentar o esforço necessário para completar a migração.
Apesar do número expressivo de registros, os especialistas afirmam que ainda não é possível comparar os dados atuais com os de anos anteriores. O motivo é que o monitoramento sistemático do trecho acompanhado pelo projeto começou apenas em dezembro de 2025.
Dessa forma, ainda não existe uma série histórica consolidada que permita determinar se a quantidade de animais encontrados representa um aumento em relação a outras temporadas.
A continuidade do acompanhamento deverá ajudar os pesquisadores a identificar padrões, compreender as principais causas das mortes e avaliar possíveis mudanças ao longo dos próximos anos.
Pinguins encontrados vivos precisam de atendimento
Os especialistas reforçam que pinguins encontrados vivos na praia precisam de atendimento realizado por equipes capacitadas.
Mesmo quando aparentam estar em boas condições, os animais podem apresentar desidratação, hipotermia, ferimentos, doenças ou grande desgaste físico. Por esse motivo, não devem ser alimentados, molhados ou devolvidos diretamente ao mar por pessoas sem treinamento.
A orientação é manter distância, afastar animais domésticos e evitar aglomerações ao redor da ave. Também não é recomendado tentar capturar ou transportar o pinguim sem orientação especializada.
Após o resgate, os animais são avaliados por profissionais e podem passar por exames, alimentação controlada, hidratação e tratamento de eventuais lesões ou doenças.
Quando apresentam recuperação suficiente, os pinguins podem ser preparados para retornar ao ambiente natural. O processo depende das condições clínicas de cada animal e da avaliação das equipes responsáveis.
Monitoramento contribui para pesquisas
O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Pelotas Sul acompanha a ocorrência de animais marinhos vivos ou mortos encontrados ao longo da costa.
Os registros auxiliam no levantamento de informações sobre aves, tartarugas, mamíferos marinhos e outras espécies. Os dados também podem contribuir para pesquisas relacionadas à conservação, às atividades humanas e às alterações ambientais.
A análise dos animais encontrados permite identificar ferimentos, sinais de interação com redes de pesca, ingestão de resíduos, doenças e outras possíveis causas de morte.
Com a manutenção do monitoramento, os pesquisadores poderão ampliar o conhecimento sobre a passagem dos pinguins-de-Magalhães pelo litoral gaúcho e sobre os desafios enfrentados durante a migração.
Fonte: Grupo RBS / Laura Cosme
Postado por Portal Oficial do Pelotas Notícias
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