
Quatro policiais militares foram condenados pela Justiça Militar do Rio Grande do Sul por crimes relacionados às agressões sofridas por torcedores do Grêmio Esportivo Brasil após uma partida disputada contra o São José, no Estádio Passo D’Areia, em Porto Alegre.
O episódio ocorreu em 1º de maio de 2022 e voltou ao centro das atenções após a divulgação da sentença de primeira instância, assinada nesta terça-feira (25). Outros 13 policiais militares que também respondiam ao processo foram absolvidos.
De acordo com as informações divulgadas sobre a decisão judicial, após a partida entre São José e Brasil de Pelotas, torcedores teriam sido conduzidos para uma área escura do estádio e submetidos a agressões com cassetetes, socos, chutes e gás de pimenta.
A Justiça considerou comprovada a prática de tortura em relação aos quatro militares condenados.
Entre as vítimas está Rai Cardoso Duarte. Conforme consta no processo, ele não teria participado da confusão ocorrida após a partida. Rai teria sido retirado de um ônibus, algemado e levado para dentro do estádio.
As agressões provocaram consequências graves. Segundo as informações apresentadas durante o julgamento, Rai sofreu hemorragia interna, lesões intestinais e choque hemorrágico. Ele permaneceu internado durante 47 dias em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e precisou passar por 14 procedimentos cirúrgicos.
A decisão judicial rejeitou a versão de que os ferimentos mais graves apresentados pela vítima teriam ocorrido anteriormente, durante a confusão envolvendo torcedores.
Em relação às penas, o soldado Leandro Duarte Lemes foi condenado a oito anos e dois meses de reclusão, inicialmente em regime fechado.
O 1º tenente Dilnei Silva Leon recebeu pena de sete anos, dois meses e 15 dias, em regime inicialmente semiaberto.
Já os soldados João Carlos Krauze do Nascimento e Kelli Lisiane Abreu Marques foram condenados a três anos e seis meses de prisão, com cumprimento inicialmente em regime aberto.
Além dos quatro condenados, outros 13 policiais militares também eram réus no processo. Eles foram absolvidos porque, segundo a decisão, não havia provas suficientes para individualizar a participação de cada um deles nas agressões investigadas.
A sentença é de primeira instância, o que significa que ainda pode ser contestada por meio dos recursos previstos na legislação. Os quatro policiais condenados poderão recorrer em liberdade enquanto o processo segue tramitando.
A defesa das vítimas também informou que pretende recorrer, tanto em relação às absolvições dos demais policiais quanto às penas estabelecidas para os quatro militares condenados.
O caso teve grande repercussão desde 2022, especialmente em Pelotas, diante da gravidade das lesões sofridas por Rai Cardoso Duarte e dos relatos apresentados por torcedores que estavam no Estádio Passo D’Areia naquela ocasião.
Com a sentença divulgada agora, o processo entra em uma nova etapa, podendo ainda haver alterações nas condenações ou absolvições após a análise de eventuais recursos pelas instâncias superiores.
Fonte: A Hora do Sul / Satolep Notícias.
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