
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul ampliou a estrutura operacional das delegacias especializadas no enfrentamento aos crimes rurais e ao abigeato. A entrega de novas viaturas, antenas de internet via satélite e rádios portáteis de comunicação foi realizada nesta terça-feira (14), em Porto Alegre.
O reforço foi coordenado pela Divisão de Repressão aos Crimes Rurais e Abigeato, vinculada ao Departamento de Polícia do Interior. A medida busca melhorar o deslocamento e a capacidade de comunicação das equipes que atuam em propriedades rurais, estradas vicinais e áreas afastadas dos centros urbanos.
Ao todo, foram entregues cinco caminhonetes Mitsubishi L200 Triton. Os veículos possuem tração 4×4, câmbio automático e compartimento destinado ao transporte de presos, características consideradas importantes para as operações realizadas no interior do Estado.
As novas viaturas foram distribuídas para as Delegacias Especializadas na Repressão aos Crimes Rurais e Abigeato de Alegrete, Camaquã, Cruz Alta, Santo Ângelo e Rio Grande.
As unidades de Bagé e Santo Antônio da Patrulha já haviam recebido caminhonetes com as mesmas características nas semanas anteriores. Com isso, as sete delegacias especializadas atualmente em funcionamento no Rio Grande do Sul passam a contar com veículos preparados para operações em diferentes condições de terreno.
Veículos serão utilizados em regiões de difícil acesso
As equipes das DECRABs atuam em uma extensa área territorial, acompanhando ocorrências relacionadas ao furto de animais, invasões, receptação, abates clandestinos e outros delitos que atingem produtores e moradores do meio rural.
Muitas das diligências são realizadas em estradas sem pavimentação, caminhos internos de propriedades e locais afastados das principais rodovias. Em períodos de chuva, algumas áreas apresentam barro, alagamentos e outras dificuldades que podem impedir a circulação de veículos convencionais.
A utilização de caminhonetes com tração 4×4 deverá facilitar o acesso dos policiais a essas regiões, permitindo deslocamentos mais rápidos e maior segurança durante as operações.
Os veículos também poderão ser empregados no cumprimento de mandados, atendimento a ocorrências, localização de animais furtados, fiscalização de estabelecimentos suspeitos de receptação e apoio a outras unidades policiais.
Segundo o diretor da Divisão de Repressão aos Crimes Rurais e Abigeato, delegado Heleno dos Santos, a ampliação da frota representa um avanço na capacidade de atuação das equipes especializadas.
A proposta é garantir que os agentes tenham condições adequadas para chegar aos locais das ocorrências independentemente das condições climáticas e das características das estradas.
Internet via satélite será utilizada em operações
Além das novas viaturas, a Polícia Civil entregou antenas Starlink para cinco delegacias especializadas.
Os equipamentos foram destinados às unidades de Camaquã, Bagé, Alegrete, Santo Antônio da Patrulha e Cruz Alta. As DECRABs de Rio Grande e Santo Ângelo já possuíam sistemas semelhantes.
A internet via satélite permitirá a instalação de bases operacionais temporárias em regiões que não possuem sinal de telefonia celular ou conexão convencional.
Durante uma operação policial, a ausência de comunicação pode dificultar consultas a bancos de dados, envio de documentos, contato com outras equipes e transmissão de informações em tempo real.
Com os equipamentos, os agentes poderão acessar sistemas internos, verificar dados de veículos e pessoas, enviar registros e manter contato com as unidades de comando mesmo quando estiverem em propriedades afastadas.
A tecnologia também poderá ser utilizada em operações prolongadas, quando as equipes precisam permanecer durante várias horas ou dias em uma determinada região.
Delegacias recebem rádios portáteis
Todas as sete DECRABs atualmente em funcionamento no Rio Grande do Sul também receberam rádios portáteis de comunicação.
Os equipamentos serão utilizados por delegados e agentes durante as operações, possibilitando o contato direto entre equipes que estejam em diferentes pontos de uma propriedade ou região.
A comunicação por rádio é fundamental em locais onde o sinal de telefone não funciona. Em determinadas operações, os policiais precisam se dividir para realizar buscas, acompanhar estradas, abordar veículos ou cumprir mandados simultaneamente.
Os novos aparelhos deverão permitir que as equipes compartilhem informações rapidamente e coordenem os deslocamentos com maior segurança.
A integração também facilita o contato entre unidades de diferentes regiões quando uma investigação envolve o transporte de animais ou produtos furtados entre municípios.
Crimes praticados no meio rural frequentemente ultrapassam os limites de uma única cidade. Animais, equipamentos e outros materiais podem ser levados para regiões distantes ou até mesmo para outros estados.
Por esse motivo, a atuação coordenada entre as delegacias especializadas é considerada essencial para a identificação dos responsáveis e a recuperação dos bens.
Parceria entre poder público e produtores rurais
As caminhonetes foram adquiridas com recursos públicos. Já as antenas de internet via satélite e os rádios portáteis foram comprados com recursos provenientes de doações realizadas por produtores rurais.
A mobilização contou com a participação da pecuarista e advogada Antonia Scalzilli, atual presidente do Instituto Desenvolve Pecuária.
A representante atuou na articulação com integrantes do setor produtivo para buscar contribuições destinadas à compra dos equipamentos de comunicação.
A cooperação entre as forças de segurança e os produtores busca fortalecer a estrutura das delegacias especializadas e ampliar a proteção das propriedades rurais.
A Polícia Civil destaca que a participação da comunidade não substitui a responsabilidade do poder público, mas pode contribuir para a implantação de soluções específicas e para o aprimoramento das condições de trabalho das equipes.
O setor agropecuário possui grande importância econômica no Rio Grande do Sul. Além das perdas financeiras, os crimes rurais podem causar insegurança entre trabalhadores, produtores e famílias que vivem em regiões afastadas.
Delegacias atuam de forma integrada
As Delegacias Especializadas na Repressão aos Crimes Rurais e Abigeato são coordenadas pela DICRAB e estão distribuídas estrategicamente em diferentes regiões do Rio Grande do Sul.
A estrutura busca permitir uma resposta especializada a delitos que possuem características próprias e exigem conhecimento sobre a rotina das propriedades, movimentação de animais, documentação sanitária e transporte de cargas agropecuárias.
O abigeato, por exemplo, envolve o furto de animais criados em propriedades rurais. Em alguns casos, o gado é abatido clandestinamente e a carne pode ser comercializada sem qualquer controle sanitário.
Além do prejuízo causado ao produtor, essa prática pode representar risco à saúde pública, pois os produtos podem ser vendidos sem inspeção e sem condições adequadas de armazenamento.
As unidades também investigam furtos de máquinas, defensivos agrícolas, combustíveis, cabos, equipamentos e outros materiais utilizados no campo.
A atuação integrada permite que informações obtidas em uma determinada região sejam compartilhadas com delegacias de outros municípios, facilitando o acompanhamento de grupos que se deslocam pelo Estado.
Investimento busca ampliar eficiência das operações
A entrega das viaturas e dos equipamentos de comunicação representa uma nova etapa na modernização das unidades responsáveis pela segurança rural.
As caminhonetes ampliarão a mobilidade das equipes, enquanto a internet via satélite e os rádios deverão reduzir os problemas de comunicação enfrentados em áreas remotas.
A Polícia Civil pretende utilizar os novos recursos em operações preventivas, investigações, cumprimento de mandados e atendimento a ocorrências.
A recomendação aos produtores é que comuniquem imediatamente situações suspeitas e registrem as ocorrências. Informações sobre veículos, horários, características de pessoas e movimentações incomuns podem contribuir com as investigações.
Também é importante manter documentos, registros de animais e imagens de câmeras de segurança organizados, pois esses materiais podem auxiliar na identificação de bens e na responsabilização dos envolvidos.
Com a renovação da frota e a implantação dos novos sistemas de comunicação, a expectativa é aumentar a presença das equipes nas regiões rurais e melhorar a resposta aos crimes que afetam o setor agropecuário gaúcho.
Postado por Portal Oficial do Pelotas Notícias @pelotasnoticias
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