
Terceira edição do concurso terá classificatória em Pelotas no dia 1º de novembro e reunirá profissionais para a grande final em Porto Alegre, marcada para 14 de novembro
Pelotas será uma das cidades participantes da terceira edição do Concurso Trancista Afro RS, iniciativa que busca valorizar o trabalho de profissionais da estética afro, fortalecer a identidade cultural da população negra e incentivar o empreendedorismo de mulheres que encontram na arte do trançado uma oportunidade de geração de renda e transformação social. A etapa classificatória no município acontece no domingo, dia 1º de novembro, na Associação Casa do Hip Hop Rap Salva.
Neste ano, o concurso apresenta um formato descentralizado, levando suas atividades para diferentes regiões do Rio Grande do Sul. Além de Pelotas, o município de Passo Fundo receberá uma etapa classificatória no dia 31 de outubro, na Arena Instituto Histórico.
Em cada uma dessas duas cidades serão selecionadas cinco trancistas. As profissionais classificadas passarão a integrar o grupo de 20 participantes que disputarão a grande final, programada para o dia 14 de novembro, no Museu da Cultura Hip Hop, em Porto Alegre.
A iniciativa pretende ampliar as oportunidades para profissionais que atuam fora da capital, permitindo que mulheres do interior tenham maior visibilidade e acesso a espaços de reconhecimento profissional.
Tranças representam identidade, ancestralidade e resistência
Muito além de uma prática estética, o trançado afro possui uma trajetória histórica relacionada à cultura, à ancestralidade e às formas de resistência da população negra.
Ao longo das gerações, diferentes estilos de tranças foram utilizados como elementos de identificação cultural, social e de pertencimento, preservando conhecimentos transmitidos entre famílias e comunidades.
No Brasil, a atividade permanece diretamente relacionada à valorização da identidade afro-brasileira, especialmente entre mulheres negras que encontram nessa tradição uma maneira de expressar suas origens e conquistar independência econômica.
O Concurso Trancista Afro RS trabalha justamente com essa relação entre cultura e empreendedorismo, buscando reconhecer profissionais que utilizam conhecimentos ancestrais como instrumento de trabalho e fortalecimento comunitário.
A proposta também contribui para combater preconceitos relacionados à estética negra, incentivando o reconhecimento das tranças como expressão cultural, artística e profissional.
Projeto já impactou mais de 200 mulheres
Nas duas primeiras edições, mais de 200 mulheres negras e trancistas foram impactadas pelas atividades desenvolvidas pelo projeto.
Com a expansão para municípios do interior, os organizadores pretendem alcançar novas profissionais e ampliar a rede de contatos, oportunidades de formação e valorização do trabalho realizado nesse setor.
A descentralização também representa um avanço para participantes que enfrentam dificuldades de deslocamento até Porto Alegre, permitindo que demonstrem suas habilidades em etapas realizadas mais próximas de suas comunidades.
Em Pelotas, a realização da classificatória reforça a importância das iniciativas culturais voltadas à população negra e à valorização de atividades profissionais que fazem parte da história e da identidade afro-brasileira.
Premiações buscam fortalecer negócios
As 20 finalistas disputarão premiações que vão além do reconhecimento artístico.
Entre os benefícios previstos estão produtos de beleza, tecidos étnicos africanos, uma escultura originária de Angola, premiações em dinheiro e consultorias especializadas nas áreas de gestão de salões de beleza, vendas e marketing digital.
A intenção é oferecer ferramentas que contribuam para o crescimento profissional das participantes, incentivando a organização dos negócios, a ampliação da clientela e a melhoria da renda.
O reconhecimento da profissão também ganhou importância com a inclusão do ofício de trancista na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), representando um avanço na identificação formal de uma atividade historicamente exercida por mulheres negras.
Histórias das participantes serão registradas
Outra novidade da terceira edição é a proposta de produzir um minidocumentário e um livro em coautoria com as 20 trancistas selecionadas.
Os materiais deverão registrar experiências, trajetórias profissionais e histórias pessoais das participantes, contribuindo para a preservação da memória cultural e dos conhecimentos relacionados ao trançado afro.
Dessa forma, o concurso pretende deixar um legado que ultrapasse a competição, valorizando as profissionais e incentivando o compartilhamento de suas experiências com outras gerações.
O Concurso Trancista Afro RS – 3ª Edição é realizado no âmbito do Sistema Nacional de Cultura, por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura e do Ministério da Cultura, com financiamento do ProCultura e do Governo do Estado do Rio Grande do Sul.
Serviço
Etapa de Passo Fundo
- Data: 31 de outubro de 2026
- Local: Arena Instituto Histórico
Etapa de Pelotas
- Data: 1º de novembro de 2026
- Local: Associação Casa do Hip Hop Rap Salva
Grande final
- Data: 14 de novembro de 2026
- Local: Museu da Cultura Hip Hop, em Porto Alegre
As inscrições e demais informações podem ser consultadas no perfil oficial do concurso no Instagram: @concursotrancistaafrors.
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