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Livro de autores pelotenses sobre história e resistência negra chega às escolas municipais

A Secretaria Municipal de Educação de Pelotas iniciou, neste mês, a distribuição do livro infantil “Arte Preta para Erês” para as escolas da rede municipal de ensino. Escrita pelos pelotenses Eduardo Freda e Êmily Passarinho, com ilustrações de Jackeline Nunes, a obra passa a integrar o acervo bibliográfico disponibilizado a estudantes e profissionais da educação.

Estruturado como uma canção, o livro reúne referências à história, à cultura e às religiões de matriz africana para apresentar a participação e a resistência da população negra na formação social de Pelotas e do Rio Grande do Sul.

A expectativa da Secretaria é de que a obra seja utilizada em atividades de leitura, diálogo, pesquisa e reflexão, contribuindo para a construção de práticas pedagógicas comprometidas com a valorização da diversidade e com o enfrentamento ao racismo no ambiente escolar.

A iniciativa é realizada por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura e está relacionada às leis federais nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que estabeleceram a obrigatoriedade do ensino da história e das culturas afro-brasileira, africana e indígena nos currículos da educação básica.

Oficina marcou a entrega dos exemplares

A distribuição dos livros foi acompanhada por uma oficina cantada realizada na segunda-feira (13), com a participação de representantes das escolas municipais.

A atividade foi organizada por intermédio da Assessoria Pedagógica de Educação para as Relações Étnico-Raciais da Secretaria Municipal de Educação. Durante o encontro, os profissionais conheceram o conteúdo da publicação, participaram de atividades relacionadas à proposta do livro e debateram possibilidades de utilização em sala de aula.

O encontro também permitiu a troca de experiências entre os autores e os educadores. As discussões abordaram práticas docentes, metodologias antirracistas e formas de trabalhar conteúdos ligados à história e à cultura negra com crianças e adolescentes.

A proposta é evitar que o livro permaneça apenas nas estantes das bibliotecas. A Secretaria busca incentivar o uso efetivo da obra em projetos, rodas de leitura, pesquisas, apresentações artísticas e outras ações desenvolvidas pelas escolas.

Autora destaca importância do contato com os professores

A autora e produtora cultural Êmily Passarinho avaliou de maneira positiva a receptividade dos profissionais que participaram da oficina.

“Foi um momento de muito acolhimento. Todos os professores ali presentes valorizaram muito a nossa presença”, afirmou.

Segundo ela, a aproximação entre autores e educadores ajuda a apresentar os objetivos da publicação e oferece ferramentas para que os conteúdos sejam desenvolvidos com os estudantes.

“É crucial esse momento porque a gente consegue garantir, através desse contato entre professores e autores, que os livros sejam trabalhados. Não podemos garantir no dia a dia, mas podemos oferecer esse axé e apresentar metodologias e abordagens antirracistas na escola”, declarou.

A autora ressaltou que o livro pode ser utilizado como ponto de partida para diferentes atividades. O formato semelhante a uma canção permite que o conteúdo seja explorado por meio da leitura, da música, da oralidade, das artes visuais e de pesquisas históricas.

Atividades serão levadas a 20 escolas

Além do encontro inicial com representantes da rede, a oficina será realizada em 20 escolas municipais de Pelotas.

Entre as instituições contempladas estão unidades que possuem núcleos de estudos afro-brasileiros e indígenas em funcionamento. Esses grupos desenvolvem atividades voltadas à valorização da identidade, da memória e das contribuições dos povos africanos, afro-brasileiros e indígenas.

A realização das oficinas dentro das escolas permitirá uma aproximação direta com professores e estudantes. As ações poderão ser adaptadas conforme a faixa etária das turmas e os projetos pedagógicos desenvolvidos por cada instituição.

A Secretaria pretende que o trabalho não fique restrito a datas comemorativas. A proposta é que os temas apresentados pelo livro sejam incorporados de maneira permanente às atividades educacionais.

Obra destaca papel da população negra na formação regional

“Arte Preta para Erês” aborda elementos históricos e culturais ligados à presença negra em Pelotas e no Rio Grande do Sul.

A publicação busca apresentar às crianças e aos adolescentes personagens, símbolos e manifestações que contribuíram para a construção da identidade regional, mas que nem sempre receberam o devido espaço nos materiais didáticos tradicionais.

A obra também estabelece relações com as religiões de matriz africana e com formas de resistência desenvolvidas pelas comunidades negras ao longo da história.

O termo “erês” é utilizado no título para estabelecer uma aproximação com o universo infantil e com referências presentes em tradições religiosas de origem africana.

Ao utilizar uma linguagem voltada às crianças, os autores procuram tornar o conteúdo acessível sem reduzir a importância dos acontecimentos e das experiências apresentadas.

Literatura pode ampliar práticas antirracistas

A presença de livros com personagens, autores e referências negras nas escolas contribui para que os estudantes tenham contato com diferentes perspectivas históricas e culturais.

Para crianças negras, a representação pode fortalecer o reconhecimento da própria identidade e ampliar o sentimento de pertencimento. Para os demais estudantes, o contato com essas narrativas ajuda a combater estereótipos e a compreender a diversidade da sociedade brasileira.

A literatura infantil também permite abordar situações de preconceito e desigualdade de maneira adequada às diferentes idades. Professores podem utilizar as histórias para estimular perguntas, ouvir experiências e desenvolver atividades coletivas.

A Secretaria destaca que uma educação antirracista não se limita à discussão sobre episódios de discriminação. Ela também envolve a valorização da produção artística, intelectual, religiosa, científica e social da população negra.

Leis determinam ensino da história e das culturas afro-brasileira e indígena

A Lei Federal nº 10.639, sancionada em 2003, alterou a legislação educacional para tornar obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira nas escolas públicas e privadas.

Posteriormente, a Lei nº 11.645, de 2008, ampliou a determinação e incluiu também o estudo da história e das culturas dos povos indígenas.

As normas estabelecem que os conteúdos sejam trabalhados em diferentes áreas do currículo, especialmente em história, literatura e artes.

A distribuição de materiais pedagógicos e literários relacionados ao tema representa uma das formas de apoiar o cumprimento dessas legislações.

Além da disponibilização dos livros, a formação dos profissionais é considerada necessária para que os conteúdos sejam trabalhados com conhecimento, responsabilidade e respeito às comunidades representadas.

Rede espera alcançar crianças e adolescentes

A Assessoria Pedagógica de Educação para as Relações Étnico-Raciais espera que a obra alcance estudantes de diferentes idades e seja utilizada em todos os espaços das instituições de ensino.

O livro poderá integrar atividades nas salas de aula, bibliotecas, projetos culturais, feiras literárias, apresentações, oficinas e ações promovidas pelos núcleos de estudos.

A proposta também permite envolver as famílias e as comunidades escolares. Trabalhos produzidos pelos estudantes poderão ser compartilhados em exposições, eventos e encontros realizados pelas instituições.

Com a inclusão de “Arte Preta para Erês” no acervo municipal, a rede amplia a oferta de literatura infantil produzida por autores locais e relacionada à história da própria região.

A Secretaria espera que o material contribua para estimular a leitura, fortalecer a valorização da cultura negra e desenvolver práticas pedagógicas voltadas ao respeito, à diversidade e à igualdade racial.

Postado por Portal Oficial do Pelotas Notícias @pelotasnoticias
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