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Homem é condenado a 6 anos e 8 meses por maus-tratos contra 12 cães em Piratini

Um homem de 41 anos foi condenado pela Justiça pelo crime de maus-tratos contra 12 cães no município de Piratini. A sentença estabeleceu uma pena de seis anos e oito meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, além do pagamento de multa e de indenização por danos morais coletivos.

A decisão foi baseada em fotografias, relatórios de fiscalização, documentos e depoimentos de testemunhas apresentados durante o processo. Os elementos comprovaram as condições inadequadas em que os animais eram mantidos no pátio da residência do acusado.

Os cães foram resgatados em agosto de 2022. Conforme os registros do caso, eles estavam acorrentados e não possuíam acesso regular a alimentação, água e abrigo adequados. Alguns apresentavam sinais de desnutrição, ferimentos, debilidade física e outras consequências relacionadas à falta de cuidados.

Durante a tramitação judicial, testemunhas relataram que os animais permaneciam constantemente amarrados, muito magros, desidratados e com lesões. Também foram apresentados relatos sobre casos de amputações e outras condições graves observadas nos cães.

Animais teriam sido utilizados em caçadas

De acordo com as informações reunidas durante a investigação e analisadas pela Justiça, os cães seriam utilizados em atividades de caça.

O próprio condenado confirmou durante o processo que realizava caça de javalis. A informação foi relacionada aos relatos de que os animais eram mantidos com alimentação insuficiente e estimulados a brigar para utilização nas caçadas.

A prática de caça, por si só, não elimina a obrigação do responsável de fornecer alimentação, água, abrigo, atendimento veterinário e condições compatíveis com o bem-estar dos animais sob sua guarda.

A legislação brasileira estabelece punições para quem praticar abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais. Nos casos envolvendo cães e gatos, a pena prevista é mais elevada em comparação com situações envolvendo outras espécies.

Provas foram apresentadas durante o processo

O Ministério Público apresentou fotografias, relatórios produzidos durante as fiscalizações e depoimentos de pessoas que acompanharam ou presenciaram a situação.

O conjunto de provas demonstrou que as condições não eram pontuais ou desconhecidas pelo responsável. Segundo a acusação acolhida pela Justiça, o homem possuía controle direto sobre os cães e não poderia alegar que desconhecia a falta de cuidados.

Vizinhos também relataram que teriam sido ameaçados para que não alimentassem os animais. Esses depoimentos foram considerados juntamente com os demais elementos reunidos no processo.

A análise judicial buscou identificar as responsabilidades do acusado e verificar se as condições encontradas configuravam o crime de maus-tratos.

Com base nas provas, a Justiça concluiu que o homem era responsável pela situação enfrentada pelos 12 cães.

Resgate ocorreu em agosto de 2022

Os animais foram retirados do local em agosto de 2022, após a situação ser identificada pelas autoridades e pelos órgãos responsáveis.

No momento do resgate, os cães precisavam de alimentação adequada, água, proteção contra as condições climáticas e avaliação veterinária.

Casos de desnutrição exigem acompanhamento profissional, já que a retomada da alimentação deve ser realizada de forma controlada. Animais debilitados também podem necessitar de medicamentos, exames, curativos e tratamento prolongado.

Ferimentos e amputações, além do sofrimento físico, podem provocar limitações permanentes e exigir adaptações para garantir qualidade de vida.

Depois da retirada do local, os cães passaram a depender da atuação da rede de proteção para recuperação e encaminhamento.

Condenado não poderá manter animais

Além da pena de seis anos e oito meses de reclusão e do pagamento de multa, a sentença determinou que o homem fique proibido de manter animais sob sua guarda.

A medida busca evitar que novos animais sejam expostos às mesmas condições e reforça que a guarda envolve responsabilidade contínua.

Quem assume os cuidados de um animal deve garantir alimentação, água, abrigo, higiene, segurança, acompanhamento veterinário e espaço compatível com as necessidades da espécie.

Também é obrigação do responsável evitar sofrimento, abandono, violência, exposição prolongada ao frio ou ao calor e qualquer forma de utilização que coloque o animal em risco.

A proibição estabelecida pela Justiça integra as consequências da condenação e deverá ser observada pelo homem durante o período determinado.

Justiça estabelece indenização mínima de R$ 20 mil

A sentença também fixou uma indenização mínima de R$ 20 mil por danos morais coletivos.

Esse tipo de reparação considera que os maus-tratos contra animais não produzem somente consequências individuais. A violência também atinge valores protegidos pela sociedade, como o respeito ao meio ambiente, ao bem-estar animal e à convivência responsável.

O valor deverá seguir a destinação definida no processo judicial.

A indenização não substitui a pena criminal nem as demais medidas impostas. Ela representa uma consequência adicional relacionada aos danos causados pela conduta reconhecida na sentença.

Cães passarão por cuidados antes da adoção

Os cães resgatados deverão ser encaminhados à ONG Amigo do Bicho, onde passarão por avaliação veterinária e pelos procedimentos necessários para recuperação.

Também está prevista a castração dos animais antes da disponibilização para adoção responsável.

A avaliação veterinária permitirá verificar o estado de saúde de cada cão, identificar possíveis doenças, tratar ferimentos e definir os cuidados específicos necessários.

Somente depois dessa etapa os animais poderão ser encaminhados para novas famílias.

A adoção responsável exige que os interessados estejam preparados para assumir despesas com alimentação, vacinação, consultas, medicamentos e demais necessidades durante toda a vida do animal.

Também é necessário avaliar o espaço disponível, a rotina da família, a presença de outros animais e o tempo necessário para adaptação.

Maus-tratos podem ser denunciados

Situações de abandono, agressão, falta de alimentação, ausência de água, exposição a condições extremas e manutenção permanente em correntes podem ser comunicadas às autoridades.

A denúncia deve apresentar o máximo possível de informações, como endereço, descrição do fato, quantidade de animais envolvidos e horários em que a situação costuma ocorrer.

Fotografias e vídeos podem ajudar na apuração, desde que sejam obtidos sem invasão de propriedade ou exposição do denunciante a riscos.

Em situações de perigo imediato, os órgãos de segurança devem ser acionados.

A participação da comunidade é importante para que casos de violência sejam identificados antes que os animais sofram consequências ainda mais graves.

Decisão reforça responsabilização por maus-tratos

A condenação em Piratini reforça que a guarda de animais cria obrigações legais e que situações graves de negligência podem resultar em responsabilização criminal.

O processo analisou as condições em que os 12 cães foram encontrados, os depoimentos apresentados e os documentos produzidos durante a fiscalização.

A pena de prisão, a multa, a proibição de manter animais e a indenização por danos morais coletivos foram definidas com base no conjunto de provas reconhecido pela Justiça.

Agora, os cães deverão receber os cuidados necessários para recuperação e futura adoção.

A expectativa é de que, após o acompanhamento veterinário e a castração, os animais possam ser encaminhados para famílias preparadas para oferecer proteção, alimentação, segurança e condições adequadas de vida.

Postado por Portal Oficial do Pelotas Notícias @pelotasnoticias
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