
Investigação apura esquema de extorsão praticado por meio de perfis falsos nas redes sociais; dez prisões temporárias e 16 buscas estão previstas durante a Operação Salmoneus
A Polícia Civil realiza nesta quinta-feira (24) uma operação interestadual contra um grupo investigado por aplicar golpes de extorsão em homens por meio de perfis falsos nas redes sociais. Batizada de Operação Salmoneus, a ação envolve o cumprimento de mandados em diferentes municípios do Rio Grande do Sul, incluindo Pelotas, além de uma diligência no estado de Santa Catarina.
De acordo com as informações da investigação, o esquema começava com a criação e utilização de perfis falsos que se apresentavam como mulheres. A partir dessas contas, os investigados iniciavam conversas com homens, especialmente vítimas localizadas no estado de São Paulo.
Durante os contatos, as conversas evoluíam até a troca de mensagens e conteúdos de caráter íntimo. A partir desse momento, segundo a Polícia Civil, começava uma segunda etapa do golpe.
Outro integrante do grupo entrava em contato com a vítima e se apresentava como delegado de polícia. O falso agente afirmava que existia uma investigação em andamento relacionada às conversas ou aos conteúdos trocados anteriormente.
A vítima então era informada de que poderia enfrentar consequências criminais e, na sequência, recebia uma exigência de pagamento em dinheiro. Conforme a apuração policial, os valores eram cobrados sob a justificativa de que, mediante o depósito, a suposta investigação não teria continuidade.
A Polícia Civil trata os casos como extorsão, crime caracterizado pelo constrangimento de uma pessoa mediante violência ou grave ameaça com o objetivo de obter vantagem econômica indevida.
Vítimas em São Paulo
Entre as vítimas identificadas ao longo da investigação estão homens de Araçatuba, no interior paulista. A Polícia Civil daquela cidade participa diretamente da operação e enviou equipes ao Rio Grande do Sul para acompanhar o cumprimento das medidas judiciais.
A investigação avançou a partir da análise das comunicações, movimentações relacionadas aos pagamentos e identificação dos possíveis responsáveis pelos contatos feitos com as vítimas.
Segundo as informações repassadas durante a operação, parte dos investigados seria vinculada ao sistema prisional do Rio Grande do Sul e teria utilizado as redes sociais e aplicativos de comunicação para estabelecer contato com as vítimas.
A participação individual de cada investigado ainda é objeto de apuração, e as responsabilidades deverão ser definidas conforme o avanço das diligências e a análise do material apreendido.
Dez prisões temporárias e 16 buscas
Ao todo, a Operação Salmoneus prevê o cumprimento de dez mandados de prisão temporária.
Também são cumpridos 16 mandados de busca e apreensão, sendo 15 em cidades do Rio Grande do Sul e um em Tijucas, Santa Catarina.
No território gaúcho, as ações ocorrem em Charqueadas, Fontoura Xavier, Itapuca, Soledade, Paim Filho, Pelotas, São Leopoldo, Sapucaia do Sul, Novo Hamburgo, Campo Bom e Porto Alegre.
Durante as diligências, policiais buscam documentos, aparelhos eletrônicos, dispositivos de armazenamento e outros materiais que possam contribuir para esclarecer a estrutura e a dinâmica do grupo investigado.
Imagens divulgadas da operação mostram policiais civis reunidos durante as ações e materiais recolhidos para análise, entre eles equipamentos eletrônicos e dispositivos de armazenamento de dados.
Todo o conteúdo apreendido deverá ser submetido à perícia e análise das equipes responsáveis pela investigação.
Golpe utilizava falsa autoridade policial
Um dos principais elementos apontados pela investigação é a utilização da figura de uma autoridade policial para aumentar a pressão sobre as vítimas.
Depois do contato inicial feito por meio de perfis falsos, um dos envolvidos se apresentava como delegado e afirmava que havia uma investigação contra a pessoa abordada.
A estratégia, segundo a Polícia Civil, buscava provocar medo e fazer com que as vítimas acreditassem estar diante de um procedimento policial verdadeiro.
Com a ameaça de possíveis consequências criminais, os investigados passavam a exigir pagamentos para supostamente impedir o prosseguimento do caso.
A Polícia Civil reforça, em situações semelhantes, que agentes públicos não solicitam pagamentos para interromper investigações, retirar registros policiais ou evitar responsabilizações criminais.
Investigação continua
A Operação Salmoneus permanece em andamento nesta quinta-feira. Além do cumprimento das ordens judiciais, os investigadores trabalham na análise de aparelhos eletrônicos, documentos e demais elementos recolhidos durante as buscas.
O material deverá auxiliar na identificação de outras possíveis vítimas, na reconstrução dos contatos realizados pelo grupo e na definição do papel atribuído a cada investigado.
Novas informações poderão ser divulgadas conforme o avanço da investigação e a consolidação dos resultados da operação.
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