
Dezesseis pinguins-de-Magalhães foram devolvidos ao ambiente natural após concluírem um processo de tratamento e reabilitação com duração aproximada de 45 dias no Centro de Recuperação de Animais Marinhos, vinculado à Universidade Federal do Rio Grande.
As aves haviam sido encontradas no início de junho em diferentes pontos do litoral Sul. Os animais estavam cobertos por óleo e apresentavam um estado de saúde considerado delicado, exigindo atendimento especializado, estabilização clínica e acompanhamento permanente da equipe responsável.
Ao todo, 18 pinguins foram encaminhados ao centro. Após o período de tratamento, 16 apresentaram condições clínicas e comportamentais adequadas para retornar ao mar. Os outros dois animais permanecem sob os cuidados dos profissionais e seguem em recuperação.
Animais apresentavam sinais de debilidade
Quando chegaram ao centro de recuperação, os pinguins apresentavam sinais de hipotermia, desidratação, anemia e comprometimento da plumagem em razão da exposição ao petróleo.
A contaminação por óleo representa um risco grave para as aves marinhas. O material retira a impermeabilidade natural das penas, reduz o isolamento térmico e dificulta a capacidade de flutuação e locomoção dos animais.
Sem a proteção adequada das penas, os pinguins ficam mais vulneráveis à perda de temperatura corporal, ao cansaço e à dificuldade para buscar alimentos no ambiente marinho.
Além disso, durante a tentativa de limpar o próprio corpo, as aves podem ingerir o óleo preso à plumagem. A ingestão do material tóxico pode agravar o quadro clínico, comprometer órgãos internos e diminuir ainda mais a capacidade de alimentação.
Segundo as informações divulgadas, a equipe do Cram não registrava um episódio semelhante de contaminação envolvendo tantos animais havia mais de sete anos.
Processo de retirada do óleo
Os pinguins passaram por um procedimento conhecido como despetrolização. O processo exige cuidados específicos e somente pode ser iniciado depois que o animal apresenta condições clínicas suficientes para suportar a lavagem.
Inicialmente, as aves recebem atendimento voltado à estabilização da temperatura corporal, hidratação, alimentação e tratamento das alterações identificadas durante as avaliações veterinárias.
Após essa etapa, as penas são lavadas cuidadosamente com produtos apropriados para a remoção do petróleo. O trabalho precisa ser realizado de maneira minuciosa para retirar o material sem provocar novos danos à plumagem ou aumentar o nível de estresse dos animais.
Depois da lavagem, os pinguins permanecem sob observação e passam por novas avaliações. A equipe verifica se as penas recuperaram a impermeabilidade necessária, se os animais conseguem nadar, manter a temperatura corporal e apresentar comportamento compatível com a vida em ambiente natural.
Avaliações permitiram a liberação de 16 aves
Ao final do período de reabilitação, 16 dos 18 pinguins resgatados apresentaram condições satisfatórias para a soltura.
A decisão de devolver um animal ao mar depende de diferentes critérios. Além da recuperação física, os profissionais analisam a capacidade de natação, o comportamento, a alimentação, o peso e a resposta às condições semelhantes às encontradas na natureza.
Os dois pinguins que ainda não atingiram os parâmetros necessários continuarão recebendo atendimento e somente serão liberados quando estiverem completamente recuperados.
Soltura foi realizada em alto-mar
A devolução das aves ocorreu em alto-mar. A escolha do local busca reduzir o risco de novos encalhes provocados por correntes marítimas próximas à costa.
A soltura em uma região mais afastada também aumenta as possibilidades de os animais encontrarem outros indivíduos da espécie e retomarem o processo natural de migração.
Os pinguins-de-Magalhães costumam deixar a região da Patagônia durante o inverno em busca de alimento. Durante o deslocamento, muitos chegam ao litoral brasileiro, especialmente aos estados da região Sul.
Alguns animais podem encalhar devido ao cansaço, à falta de alimento, às condições marítimas ou a problemas relacionados à ação humana, como contaminação, resíduos e redes de pesca.
Microchips permitirão acompanhamento
Antes da soltura, todos os pinguins receberam um microchip de identificação.
O dispositivo permitirá que os profissionais acompanhem informações sobre os animais caso sejam novamente encontrados, resgatados ou identificados durante estudos científicos.
Os dados poderão contribuir para pesquisas relacionadas aos deslocamentos da espécie, às condições ambientais, aos efeitos da poluição e às estratégias de conservação das aves marinhas.
A identificação individual também auxilia na avaliação dos resultados do tratamento, permitindo verificar a adaptação dos animais após o retorno ao ambiente natural.
Contaminação representa risco ambiental
Casos envolvendo aves cobertas por petróleo demonstram os impactos que o lançamento de substâncias tóxicas pode provocar nos ecossistemas marinhos.
Mesmo pequenas quantidades de óleo podem atingir grandes áreas e afetar aves, peixes, mamíferos marinhos e outros organismos. Em animais que dependem da plumagem para manter a temperatura e permanecer na água, os danos podem ser fatais sem atendimento rápido e especializado.
A recuperação dos 16 pinguins representa o resultado do trabalho desenvolvido pelos profissionais responsáveis pelo resgate, tratamento veterinário, alimentação, limpeza e preparação para a soltura.
Os outros dois animais permanecerão no centro até que apresentem condições seguras para retornar ao mar.
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