
Estudantes do 6º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental João da Silva Silveira, localizada no Monte Bonito, 9º Distrito de Pelotas, transformaram a história do líder quilombola Manoel Padeiro em um jogo de tabuleiro desenvolvido durante as aulas de robótica.
A atividade teve como ponto de partida o livro “Os quilombolas de Manoel Padeiro”, escrito por Duda Keiber. A obra apresenta a trajetória do personagem histórico conhecido como o “Zumbi dos Pampas” e serviu de referência para a criação dos caminhos, cartas e desafios que integram o jogo produzido pelos alunos.
O projeto reuniu conhecimentos de História, Artes, tecnologia e Educação para as Relações Étnico-Raciais. A proposta buscou aproximar os estudantes da história local por meio de uma atividade prática e interativa, permitindo que a turma conhecesse a trajetória de Manoel Padeiro enquanto desenvolvia diferentes habilidades.
A professora de Artes Cristiane Vaz foi responsável pela orientação do processo de criação e confecção das peças. A educadora utilizou a estrutura do Lab Maker da escola e princípios do pensamento computacional para auxiliar os estudantes na organização das etapas do projeto.
A ideia surgiu a partir da combinação entre o estudo do livro e a implantação do espaço de criação tecnológica na instituição. Como a escola ainda estava estruturando os materiais disponíveis para as atividades, a professora propôs que os estudantes desenvolvessem um jogo utilizando os recursos existentes.
A turma foi dividida em grupos, e cada equipe ficou responsável por uma etapa da produção. Parte dos estudantes trabalhou no planejamento do tabuleiro, enquanto outros participaram da criação das cartas, dos textos, das imagens e das peças utilizadas durante a brincadeira.
Ferramentas digitais de design também foram utilizadas para organizar os elementos visuais. Os alunos tiveram contato com recursos tecnológicos durante a preparação das cartas e demais componentes, além de participarem do recorte, montagem e acabamento do material.
O estudante Mathias Fonseca destacou que a produção das cartas foi uma das etapas que exigiu maior atenção. Segundo ele, o tamanho reduzido dos elementos tornou o trabalho mais detalhado, mas a atividade foi considerada divertida pela turma.
Os estudantes Miguel Ferraz e Izabel Freire também participaram do desenvolvimento do jogo e relataram os desafios encontrados durante a confecção. Entre as principais dificuldades estavam o recorte das peças e a necessidade de organizar as informações em espaços pequenos.
Além do aprendizado tecnológico, o projeto contribuiu para ampliar o conhecimento dos alunos sobre Manoel Padeiro. A intenção foi apresentar sua trajetória a estudantes que ainda não conheciam a importância do líder quilombola para a história da região.
História local e identidade
O trabalho desenvolvido na escola também faz parte das ações de Educação para as Relações Étnico-Raciais realizadas na rede municipal de ensino de Pelotas.
A Emef João da Silva Silveira conta com um Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas, anteriormente coordenado pela professora Cleyce Collins e atualmente conduzido pela professora Cristiane Couto.
As práticas realizadas pelo núcleo são acompanhadas pela Assessoria Pedagógica de Educação para as Relações Étnico-Raciais, vinculada à Secretaria Municipal de Educação.
O trabalho sobre Manoel Padeiro foi apresentado aos estudantes de diferentes anos do Ensino Fundamental. As atividades foram adaptadas de acordo com a idade das turmas, permitindo que alunos do 1º ao 9º ano estudassem o mesmo tema por meio de diferentes estratégias pedagógicas.
Entre os materiais elaborados está uma história em quadrinhos destinada aos anos finais do Ensino Fundamental. A produção contextualiza a trajetória de Manoel Padeiro e aproxima sua história da realidade da comunidade escolar.
O conteúdo também estabelece uma relação com a trajetória de Vó Elvira, matriarca do quilombo que dá nome ao Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas da escola.
A proposta busca ampliar a presença de personagens negros na construção das narrativas sobre a identidade gaúcha. Por meio das atividades, os estudantes conhecem trajetórias que nem sempre recebem destaque nos materiais escolares tradicionais.
Para a coordenação do núcleo, o trabalho contribui para o fortalecimento do pertencimento, da identidade e da valorização das raízes dos estudantes. A integração entre professores de diferentes áreas permite que o tema seja abordado por meio da literatura, da arte, da tecnologia, da história e de outras linguagens.
Tecnologia como ferramenta pedagógica
A criação do jogo de tabuleiro demonstra como a tecnologia pode ser utilizada para ampliar o interesse dos estudantes por temas históricos e culturais.
O pensamento computacional não se limita ao uso de computadores ou à programação. Ele também envolve a organização de tarefas, a divisão de um problema em etapas, a criação de sequências lógicas e a busca de soluções.
Durante a elaboração do jogo, os estudantes precisaram definir regras, distribuir funções, selecionar informações do livro e transformar o conteúdo pesquisado em uma experiência que pudesse ser compreendida por outros participantes.
A atividade também estimulou o trabalho coletivo. Cada grupo precisou cumprir sua parte para que o jogo fosse concluído, exigindo diálogo, responsabilidade e cooperação entre os integrantes da turma.
A produção manual das cartas e peças complementou o trabalho realizado com as ferramentas digitais. Dessa forma, o projeto reuniu tecnologia e atividades artísticas em uma mesma proposta pedagógica.
O resultado poderá ser utilizado como recurso educativo para apresentar a história de Manoel Padeiro a outros estudantes da escola. O formato de jogo permite que o conhecimento seja compartilhado de maneira dinâmica, incentivando a participação e a curiosidade dos alunos.
Julho das Pretas
Além do projeto desenvolvido durante as aulas de robótica, a Escola Municipal João da Silva Silveira realiza outras atividades interdisciplinares voltadas à valorização da história e da cultura afro-brasileira.
Durante este mês, professores e estudantes participam de ações relacionadas à campanha Julho das Pretas, orientada pela Assessoria Pedagógica de Educação para as Relações Étnico-Raciais.
As atividades buscam reconhecer e valorizar as mulheres negras que fazem parte da história da escola, do núcleo e da comunidade. A programação também amplia as discussões sobre identidade, representatividade e combate ao racismo no ambiente escolar.
Com a criação do jogo sobre Manoel Padeiro, os estudantes passaram a atuar não apenas como leitores da história, mas também como produtores de um material educativo capaz de apresentar essa trajetória para outras pessoas.
A iniciativa reforça a importância de projetos que aproximem os conteúdos escolares da realidade local e utilizem diferentes recursos para tornar o aprendizado mais participativo.
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