
Um grupo de estudantes da Escola Estadual de Ensino Médio Professor Carlos Loréa Pinto, de Rio Grande, participou na manhã desta sexta-feira (17) de uma atividade educativa na Secretaria Municipal de Igualdade Racial e na Casa da Igualdade Racial, em Pelotas. A visita teve como objetivo aproximar os jovens das políticas públicas de enfrentamento ao racismo e aprofundar os conteúdos desenvolvidos pela instituição de ensino ao longo do ano letivo.
A atividade reuniu 17 alunos do 2º ano do ensino médio em tempo integral, acompanhados por professores da escola. Durante a programação, os estudantes conheceram parte do trabalho realizado pela Secretaria Municipal de Igualdade Racial e pela Casa da Igualdade Racial, além de participarem de uma palestra sobre combate ao racismo, letramento racial e educação antirracista.
A apresentação foi conduzida pelo secretário municipal de Igualdade Racial, Júlio Domingues, pela assessora técnica Tirza Moraes e pela agente jurídica da Casa da Igualdade Racial, advogada Isadora Caleiro. Os profissionais abordaram conceitos relacionados às desigualdades raciais, à construção histórica do racismo e à importância de identificar práticas discriminatórias presentes no cotidiano.
Também foram apresentadas informações sobre o papel do poder público na promoção da igualdade racial, no acolhimento de pessoas vítimas de discriminação e na elaboração de ações destinadas a ampliar direitos e oportunidades.
A visita integra as atividades do projeto “Presenças e Ausências: quem a linguagem representa?”, desenvolvido pela Escola Estadual de Ensino Médio Professor Carlos Loréa Pinto. O trabalho reúne pesquisas e ações baseadas na perspectiva da Educação para as Relações Étnico-Raciais.
A instituição participa de uma iniciativa piloto de Equidade Racial promovida pela Secretaria Estadual da Educação. A proposta busca incorporar o debate sobre diversidade, representatividade, identidade e enfrentamento ao racismo às práticas pedagógicas e aos diferentes componentes curriculares.
O passeio até Pelotas foi organizado como um desdobramento das atividades realizadas em sala de aula. Além de conhecerem a estrutura da Secretaria e da Casa da Igualdade Racial, os estudantes estão desenvolvendo pesquisas sobre a participação das doceiras negras na história e na cultura do município.
A presença de mulheres negras na tradição doceira representa uma parte importante da trajetória econômica e social de Pelotas. Ao estudar essa contribuição, os alunos ampliam o contato com personagens e grupos que nem sempre receberam o devido reconhecimento nos registros históricos tradicionais.
A atividade também permite que os estudantes reflitam sobre a forma como diferentes grupos sociais são representados pela linguagem, pelos livros, pelos meios de comunicação, pelas manifestações culturais e pelos espaços institucionais.
Igualdade racial integra o trabalho pedagógico
A professora Natália Guerreiro foi uma das responsáveis por acompanhar os estudantes durante a visita. Segundo ela, o debate sobre igualdade racial é desenvolvido de forma transversal pela escola, sendo incorporado ao currículo e às práticas educativas ao longo de todo o ano letivo.
A educadora explicou que a temática é trabalhada por meio de projetos interdisciplinares, rodas de conversa, atividades em sala de aula, produções culturais e análises críticas de diferentes formas de linguagem.
Entre as ações realizadas pela escola está o Evento Linguagens do Mundo, que promove reflexões sobre cultura, identidade, comunicação e diversidade. A proposta é fazer com que os estudantes compreendam como a linguagem pode contribuir tanto para ampliar a representatividade quanto para reforçar preconceitos e exclusões.
Conforme a professora, a visita à Casa da Igualdade Racial foi importante para aprofundar o debate e permitir que os alunos conhecessem, na prática, uma instituição voltada ao enfrentamento do racismo e à promoção de direitos.
Natália também destacou o significado histórico da atividade para a comunidade escolar. Segundo ela, conhecer pessoalmente o espaço possibilita que os jovens relacionem os conteúdos estudados com situações concretas e compreendam de que maneira as políticas públicas podem atuar na transformação da sociedade.
Formação aborda combate ao racismo
Durante a palestra, os estudantes receberam orientações sobre letramento racial, conceito relacionado à capacidade de reconhecer como o racismo se manifesta nas relações sociais, nas instituições e nas diferentes formas de comunicação.
A formação também abordou a educação antirracista, que busca superar uma abordagem restrita a datas comemorativas e incorporar permanentemente o debate sobre igualdade racial ao ambiente escolar.
A proposta envolve valorizar a história e a cultura da população negra, questionar estereótipos, identificar situações discriminatórias e ampliar a presença de referências negras nos conteúdos apresentados aos alunos.
A educação para as relações étnico-raciais também contribui para que os estudantes compreendam a formação histórica da sociedade brasileira e reconheçam os impactos provocados pela escravidão, pela exclusão e pelas desigualdades que permanecem presentes.
Ao conhecerem o trabalho da Secretaria Municipal de Igualdade Racial, os jovens puderam observar como essas discussões também fazem parte das responsabilidades do poder público. A estrutura municipal desenvolve ações de orientação, conscientização, promoção de direitos e enfrentamento a diferentes formas de racismo.
A Casa da Igualdade Racial funciona como um espaço de referência para atividades educativas, culturais, jurídicas e sociais. O local também permite a realização de encontros, palestras e ações voltadas à valorização da diversidade e ao fortalecimento das políticas de igualdade racial.
Estudantes pesquisam trajetória das doceiras negras
A passagem por Pelotas também está relacionada a uma pesquisa sobre o papel das doceiras negras no município. O tema permite aproximar os alunos da história local e reconhecer a participação de mulheres negras na preservação de receitas, técnicas e conhecimentos transmitidos entre gerações.
A tradição dos doces de Pelotas é amplamente reconhecida como um dos principais elementos culturais da cidade. No entanto, o estudo dessa trajetória também exige atenção às trabalhadoras que contribuíram diretamente para o desenvolvimento e a continuidade dessa produção.
Ao analisar essas histórias, os estudantes são incentivados a observar quem aparece nos registros oficiais e quais personagens foram historicamente invisibilizados. Essa reflexão está diretamente ligada ao projeto desenvolvido pela escola, que questiona quem é representado pela linguagem e quem permanece ausente das narrativas mais difundidas.
A atividade realizada em Pelotas amplia a formação dos estudantes e fortalece a ligação entre escola, comunidade e instituições públicas. A expectativa é que os conhecimentos adquiridos sejam retomados em novas produções, debates e atividades pedagógicas após o retorno do grupo a Rio Grande.
A visita também demonstra a importância da troca de experiências entre municípios e instituições de ensino. Ao sair do espaço tradicional da sala de aula, os jovens passam a ter contato com outras realidades, profissionais e iniciativas, tornando o processo de aprendizagem mais próximo das questões presentes na sociedade.
A Secretaria Municipal de Igualdade Racial destacou a importância de receber estudantes e professores interessados em aprofundar o conhecimento sobre combate ao racismo, valorização da cultura negra e construção de práticas educativas mais inclusivas.
Postado por Portal Oficial do Pelotas Notícias @pelotasnoticias
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