
A reabertura do Theatro Sete de Abril, nesta terça-feira (7), dia em que Pelotas celebra 214 anos, marca um momento histórico para a cultura do município. Mas, além da expectativa do público, dos artistas e da retomada oficial de um dos espaços mais simbólicos da cidade, a data também valoriza um grupo essencial para que esse retorno fosse possível: os trabalhadores que atuaram nos bastidores da reta final das obras.
Auxiliares de limpeza, eletricistas, pintores, pedreiros e outros profissionais participaram diretamente dos últimos preparativos para que o Theatro pudesse reabrir suas portas. Em uma corrida contra o tempo, esses trabalhadores ajudaram a deixar o prédio em condições de receber novamente apresentações, cerimônias e o público pelotense.
A presença deles nos bastidores ganhou um significado ainda mais especial porque, para alguns, o trabalho realizado nos últimos dias representou também o primeiro contato com o interior do Theatro Sete de Abril. Mesmo sendo um dos patrimônios culturais mais importantes de Pelotas, o espaço ficou distante da realidade de muitos moradores durante anos, especialmente por conta do longo período fechado.
Entre os profissionais envolvidos está o pintor Rodrigo Silva, de 40 anos. Ele contou que nunca havia tido uma relação próxima com o Theatro e que, até poucos dias atrás, o local não fazia parte de sua trajetória. Rodrigo relembrou que cresceu em uma família numerosa, com pai, mãe e dez irmãos, e que desde cedo sua vida foi marcada pelo trabalho e pelas responsabilidades.
Ainda jovem, aos 20 anos, casou-se, foi morar no Laranjal e se tornou pai. A rotina profissional acabou se desenvolvendo longe do Centro Histórico, região que pouco frequentava. Por isso, a oportunidade de trabalhar na preparação do Theatro para a reabertura teve um peso especial em sua história pessoal.
Rodrigo será um dos homenageados durante a cerimônia de reabertura. Para ele, subir ao palco pela primeira vez será um momento marcante. O reconhecimento do esforço dos trabalhadores representa, segundo ele, uma valorização importante de quem esteve nos bastidores e contribuiu para que o espaço voltasse a funcionar.
Outro profissional que viveu uma experiência inédita foi o eletricista Tainan Freitas. Morador da região das Três Vendas, na zona Norte de Pelotas, ele entrou no Sete de Abril pela primeira vez há pouco mais de um mês. Naquele momento, encontrou um espaço ainda em processo de preparação, com desafios estruturais e necessidade de ajustes para garantir segurança e funcionamento adequado.
Tainan fez parte da equipe responsável por contribuir com as instalações elétricas, etapa fundamental para que o Theatro pudesse voltar a receber espetáculos e atividades culturais. O trabalho, segundo ele, trouxe orgulho e também a vontade de retornar ao local em outra condição: não apenas como trabalhador, mas como público.
A história dele se soma à de outros profissionais que passaram a enxergar o Theatro de forma diferente após participarem da reabertura. Alguns já conheciam o caminho até o prédio, mas não tinham memória recente de quando haviam estado no local. Outros nunca haviam entrado. Em comum, todos carregam a sensação de ter participado de um momento importante para Pelotas.
A auxiliar de limpeza Andréia Cardoso, de 44 anos, moradora do loteamento Getúlio Vargas e mãe de quatro filhos, também integrou a equipe responsável pelos preparativos. Ela contou que já havia frequentado o Theatro em eventos abertos ao público, mas que agora viveu a experiência de participar diretamente da retomada do espaço.
Andréia destacou o cuidado com a higienização e com os detalhes para que o público encontre o Theatro em boas condições. Para ela, trabalhar no local foi motivo de orgulho. A auxiliar afirmou que sempre gostou de ambientes culturais e se sente privilegiada por fazer parte da equipe envolvida neste projeto.
A trajetória de Andréia também já foi registrada em audiovisual. Ela é personagem do mini-documentário “Construção”, produzido por Leonardo da Rosa, estudante de Cinema da UFPel. O filme acompanha um período difícil da vida dela, quando enfrentou o desemprego e um processo de despejo ao lado dos filhos. A obra mostra o retorno ao Getúlio Vargas e a tentativa de reconstruir a vida em meio às dificuldades.
Hoje, Andréia comemora uma nova fase. Ela afirma ter conquistado uma casa e uma vida digna com os filhos. Sua presença entre os trabalhadores da reabertura do Theatro reforça a importância de reconhecer as histórias humanas que também fazem parte dos grandes momentos da cidade.
A reabertura do Theatro Sete de Abril não representa apenas a retomada de um prédio histórico. O momento simboliza também o reencontro de Pelotas com um espaço de memória, arte, cultura e identidade. E, nesse processo, os trabalhadores dos bastidores tiveram papel fundamental para que o retorno acontecesse.
Cada serviço realizado, da limpeza à pintura, da parte elétrica aos reparos estruturais, ajudou a preparar o Theatro para voltar a fazer parte da rotina dos pelotenses. O reconhecimento desses profissionais amplia o significado da reabertura e mostra que a preservação do patrimônio também passa pelas mãos de quem trabalha longe dos holofotes.
Nesta terça-feira, quando Pelotas completa 214 anos, o Theatro Sete de Abril volta a ocupar seu lugar na vida cultural do município. E a cerimônia de reabertura também será uma oportunidade para lembrar que, antes das cortinas se abrirem novamente, muita gente trabalhou nos bastidores para que o espetáculo pudesse recomeçar.
Postado por Portal Oficial do Pelotas Notícias @pelotasnoticias
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