ABSOLUTAMENTE TUDO SOBRE PELOTAS

JULHO DAS PRETAS 2026 COMEÇA EM PELOTAS COM RODA DE CONVERSA SOBRE A LUTA DAS MULHERES NEGRAS POR VISIBILIDADE E RECONHECIMENTO

A abertura do Julho das Pretas 2026 em Pelotas foi marcada por uma roda de conversa realizada na noite de terça-feira, 30 de junho, na Casa da Igualdade Racial. O encontro reuniu mulheres negras com diferentes trajetórias de vida, atuação comunitária, profissional, acadêmica, cultural e institucional, em uma atividade voltada à escuta, valorização e reconhecimento de histórias marcadas por luta, resistência e conquistas.

A atividade integrou a programação organizada pela Secretaria de Igualdade Racial e pela Casa da Igualdade Racial. A roda de conversa foi conduzida pela vice-prefeita de Pelotas, Daniela Brizolara, e contou com a participação de quatro convidadas que atuam em diferentes áreas da cidade: a liderança comunitária das Doquinhas, Gilda Maria Macedo Alves; a artesã e servidora municipal Lucélia Silva; a advogada e presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB Pelotas, Sinara Ferreira; e a produtora cultural, poeta e trancista Stéphane Silva.

Durante o encontro, as participantes compartilharam experiências pessoais e profissionais, abordando temas como racismo, apagamento, silenciamento, família, vida acadêmica, mercado de trabalho, arte, empreendedorismo, representatividade e presença de mulheres negras em espaços de decisão. As falas destacaram os desafios enfrentados cotidianamente por mulheres negras e a importância de políticas públicas que fortaleçam a igualdade racial.

Uma das fundadoras do Instituto Hélio d’Angola, Gilda Maria Macedo Alves relembrou sua trajetória, a criação dos filhos e as experiências que a levaram ao ativismo. Em sua fala, destacou o orgulho da própria história e a importância de ocupar espaços com firmeza e reconhecimento. A liderança comunitária ressaltou a caminhada de uma mulher que enfrentou desafios, trabalhou, educou os filhos e transformou sua vivência em luta coletiva.

A advogada Sinara Ferreira destacou a importância de mulheres negras ocuparem espaços institucionais e se tornarem referência para outras pessoas. Ela ressaltou que a presença de mulheres negras em posições de liderança carrega responsabilidades, mas também abre caminhos para novas gerações. Para Sinara, reconhecer a própria posição e utilizá-la para melhorar a vida de outras pessoas é parte fundamental do compromisso com a igualdade racial.

Lucélia Silva, criadora da marca Negraluart, formada em Artes Visuais pela UFPel e servidora pública municipal, falou sobre os obstáculos provocados pela invisibilização das mulheres negras e pelo racismo. A artesã destacou que sua atuação acadêmica, artística e profissional busca mostrar a relevância do trabalho de mulheres negras e contribuir para uma cidade em que as próximas gerações não precisem enfrentar as mesmas violências.

A poeta e produtora do Slam das Minas Pelotas, Stéphane Silva, ressaltou a importância da arte, da escrita e da literatura em sua trajetória. Ela destacou que a palavra se tornou uma ferramenta de sobrevivência, cura e transformação, especialmente para crianças e jovens negros que vêm da periferia e muitas vezes têm pouco acesso a espaços culturais e de expressão.

O secretário de Igualdade Racial e coordenador da Casa da Igualdade Racial, Júlio Domingues, avaliou que o Julho das Pretas de 2026 iniciou com uma discussão forte e necessária. Segundo ele, a atividade reuniu relatos emocionantes e abordou questões centrais para o combate ao racismo em Pelotas, especialmente a partir da perspectiva de mulheres que representam diferentes dimensões da luta antirracista na cidade.

A secretária de Políticas para as Mulheres, Marielda Medeiros, destacou a importância da escuta dos testemunhos apresentados durante a roda de conversa. Para ela, ouvir essas mulheres é essencial para que o poder público compreenda demandas, identifique caminhos e potencialize ações voltadas à garantia de direitos.

Daniela Brizolara afirmou que o encontro foi importante para discutir a construção de uma cidade verdadeiramente antirracista. A vice-prefeita também destacou a necessidade de políticas públicas voltadas à geração de emprego e renda para mulheres, incluindo artesãs, empreendedoras e mulheres que muitas vezes já atuam economicamente, mesmo sem se reconhecerem formalmente como empreendedoras.

A programação do Julho das Pretas 2026 segue até o dia 28 de julho, com atividades em diferentes espaços de Pelotas. A agenda inclui rodas de conversa, feiras, oficinas, exposições, atividades culturais, caminhada, marcha regional, ações de formação, encontros de mulheres negras, debates sobre saúde mental, empreendedorismo, ancestralidade, educação, cultura, direitos sexuais, justiça reprodutiva e bem viver.

Entre os destaques da programação estão as Caminhadas Ancestrais no Passo dos Negros, atividades na Casa da Igualdade Racial, feira de empreendedorismo étnico, rodas de conversa sobre cultura, comunidade, autocuidado e mulheres de axé, além da II Marcha Regional das Mulheres Negras e do Troféu Dandara.

A agenda também conta com ações desenvolvidas em parceria com instituições, coletivos, escolas, universidades, movimentos sociais e organizações da sociedade civil. As atividades reforçam a importância de reconhecer o protagonismo das mulheres negras na construção da história, da cultura, da educação, da política e da vida comunitária de Pelotas.

Confira alguns destaques da programação:

1º de julho
17h às 20h – Projeto Cepranti/UFPel: Cine Experiência + Brechó das Pretas, na Casa da Igualdade Racial, Rua Tiradentes, 2963, Centro.

4 de julho
14h às 16h30 – Caminhadas Ancestrais, no Passo dos Negros, com concentração em frente ao Campo do Osório.

5 de julho
14h às 17h – Matriarcado e Resistência: O Papel Político e Espiritual das Lideranças Negras nos Terreiros, na Avenida Guanabara, 348, Laranjal, Balneário dos Prazeres.

7 de julho
14h30 às 17h – POEVIVÊNCIAS: escrita criativa e contação de histórias, na Casa da Igualdade Racial.

9 de julho
10h às 11h45 – 2º Fórum de Economia Solidária e Empreendedorismo Étnico do NEABI CAVG, no auditório Enilda Feistauer, IFSul Campus Pelotas.
10h às 17h30 – 3ª Feira de Empreendedorismo Étnico do NEABI CAVG, no mesmo local.

10 de julho
17h às 21h – Vivência de Mulheres Negras na Cultura e na Comunidade: roda de conversa da Associação Amigos do Fragata e Escola de Samba Unidos do Fragata, na Avenida Duque de Caxias, 869.
18h às 19h30 – Exposição do Projeto Figurino da Dança dos Orixás, na Casa da Igualdade Racial.

11 de julho
15h às 18h30 – Alicerce: Mulheres, Educação e Movimento Social Negro, na Rua Quinze de Novembro, 262, Centro.

12 de julho
11h30 às 18h – Encontro cuidativo e reflexões sobre a saúde mental da população negra, com roda de conversa e Mesa Lei Leonardo, na Casa de Jorge.
14h às 20h – Varal Pensamento Crítico de Mulheres Negras, na UCPel.
14h às 17h30 – Germinário dos Agentes de Promoção da Igualdade Racial do Povo de Terreiro da Região Sul, na Casa da Igualdade Racial.

13 a 17 de julho
8h às 17h – ERER/SME: mostra e socialização das produções desenvolvidas por crianças e estudantes com o tema “Mulheres Negras que constroem a história dos nossos territórios”, nas escolas da Rede Municipal de Ensino de Pelotas.

18 de julho
12h às 18h – Mulheres Negras Transformam, no Bloco do Mapa.
14h30 às 17h30 – Coletividades em Confluência: Literaturas e Oralituras de Mulheres Negras, no Espaço de Arte Popular, Encontro de Saberes, Rua Benjamin Constant, 1071.

19 de julho
14h às 17h – Vozes Pretas no Topo: Formação Profissional e a Conquista dos Espaços de Decisão Política e Comunitária, na Casa da Igualdade Racial.

21 de julho
18h às 20h – Roda de Conversa “Mulheres Negras e Autocuidado”, na Casa da Igualdade Racial.

22 de julho
17h às 20h – Projeto Cepranti/UFPel: Salão de Jogos Antirracistas + oficina de fanzine das intelectuais negras, na Casa da Igualdade Racial.

24 de julho
9h às 18h30 – Femeni: Feira Preta – de Ganhadeiras a Empreendedoras do Sul, no Mercado Público.
13h30 às 16h – Exposição dialogada com fotos “Racismo no cotidiano”, no Museu do Doce.

25 de julho
Dia todo – Direito Delas: Mostra de Serviços e Roda de Conversa com Mulheres de Axé, na Praça Coronel Pedro Osório.
11h às 13h – II Marcha Regional das Mulheres Negras, no Mercado Público e entorno da Praça Coronel Pedro Osório.
12h – Almoço especial do Dia da Mulher Negra, no Kilombo Urbano, Rua Benjamin Constant, 1327.
20h – Troféu Dandara, no Clube Fica Ahí, Rua Marechal Deodoro, 368.

26 de julho
12h às 16h – Almoço das Ọbabìnrin: Vivências de mulheres negras em espaços de mobilização social, na Afrika Brazil, Rua Vidal de Negreiros, 342, Fragata.

28 de julho
18h30 às 21h – SANKOFA: Nossas Raízes, Nossas Regras: Rodadas Pretas por Direitos Sexuais, Justiça Reprodutiva e Bem Viver, na Casa da Igualdade Racial.

A segunda edição do Julho das Pretas reforça a importância da memória, da escuta, da representatividade e da construção de políticas públicas voltadas à promoção da igualdade racial. A programação busca valorizar mulheres negras, ampliar espaços de diálogo e fortalecer ações de enfrentamento ao racismo em Pelotas.

Informações: Prefeitura de Pelotas/Secom
Fotos: Volmer Perez/Secom

Postado por Portal Oficial do Pelotas Notícias @pelotasnoticias
MATERIAL EXCLUSIVO: PROIBIDA CÓPIA
📲 Envie sua notícia: (53) 99705-1627
📧 pelotasnoticias.comercial@gmail.com

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error: Content is protected !!