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Museu do Doce inicia projeto de valorização da tradição doceira de Pelotas e região

O Museu do Doce iniciou, em junho de 2026, a execução do projeto Produção, Reprodução Cultural, Valorização, Difusão e Fomento da Tradição Doceira de Pelotas e Antiga Pelotas. A iniciativa foi aprovada no Edital PNPI 2023 do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o IPHAN, e terá prazo de execução de 18 meses.

O projeto tem como objetivo ampliar as ações de preservação, valorização e difusão da memória ligada à tradição doceira da região. A proposta busca reconhecer e registrar o saber-fazer de doceiras e doceiros que atuam no território inventariado de Pelotas e Antiga Pelotas, que compreende também os municípios de Arroio do Padre, Capão do Leão, Morro Redondo e Turuçu.

A tradição doceira é um dos elementos mais marcantes da identidade cultural de Pelotas e da região. A produção de doces finos, doces de frutas e outras práticas ligadas ao ofício das doceiras e dos doceiros fazem parte de uma memória coletiva que atravessa gerações, famílias, territórios e comunidades. Por isso, o projeto busca atualizar e aprofundar o reconhecimento desses detentores de saber, valorizando tanto a produção tradicional quanto as formas contemporâneas de preservação desse patrimônio cultural.

Passados dezessete anos da conclusão do relatório que deu origem ao Dossiê de Registro da Região Doceira, o projeto aponta para a necessidade de ampliar o conhecimento sobre quem são, onde estão e como atuam os detentores do saber-fazer doceiro. A proposta considera as especificidades de cada território e busca fortalecer ações sensíveis à salvaguarda desse bem cultural.

O Museu do Doce é reconhecido como um espaço voltado à memória, à preservação e à difusão das tradições doceiras locais. Com a execução do projeto, a instituição pretende ampliar sua atuação para além do espaço físico do museu, dialogando diretamente com as comunidades doceiras e com os territórios onde esse saber é produzido, transmitido e preservado.

Entre as ações previstas estão a realização de oficinas, o mapeamento georreferenciado dos detentores do saber, ações educativas em escolas, quilombos urbanos e rurais e no próprio Museu do Doce. Também estão previstas produções de materiais impressos, audiovisuais, sonoros e outros conteúdos acessíveis relacionados à tradição doceira da região.

Ao final do processo, o projeto prevê a organização de uma exposição no Museu do Doce, baseada nos resultados obtidos ao longo das ações realizadas. A proposta é aproximar a comunidade doceira do público em geral, intensificar os laços com os detentores do saber e fortalecer os vínculos que tornam o doce um patrimônio cultural imaterial.

A primeira ação prática do projeto será voltada à identificação, ao registro e ao mapeamento geoculturalmente referenciado dos detentores do saber-fazer doceiro. Essa etapa busca incluir a diversidade de pessoas e grupos que atuam na produção e reprodução das tradições doceiras, tanto na produção de doces finos quanto na produção de doces de frutas.

Também serão promovidos mapeamentos participativos de doceiras e doceiros que ficaram à margem do inventário e do registro das tradições doceiras, especialmente em áreas periféricas da região. O projeto também prevê atenção a doceiras e doceiros cuja produção está relacionada a rituais das religiões de matriz africana, ampliando a compreensão sobre a diversidade cultural presente na tradição doceira.

Como projeto-piloto, a primeira etapa está sendo realizada no município de Morro Redondo. Com apoio da Prefeitura Municipal e dos próprios detentores do saber, a equipe realiza o inventário dos doceiros existentes no município, seguindo eixos de atuação voltados à identificação, documentação, transmissão dos saberes, território e referências culturais, além da articulação institucional.

O eixo de identificação busca apontar quem são os detentores do saber-fazer doceiro e onde estão localizados. Já o eixo de documentação tem como objetivo compreender e registrar os processos relacionados à produção doceira, por meio de entrevistas, registros fotográficos, audiovisuais e transcrições.

Outro eixo importante trata da transmissão dos saberes, buscando compreender como os conhecimentos são passados entre gerações e como continuam sendo reproduzidos nos diferentes territórios. Também será realizado o levantamento de espaços e referências culturais associados à tradição doceira, além do mapeamento de instituições e agentes ligados à salvaguarda dessas práticas.

No mês de julho, com a metodologia de trabalho consolidada, serão trabalhadas as outras quatro cidades previstas no projeto: Pelotas, Capão do Leão, Turuçu e Arroio do Padre. Essa fase deve se estender até o mês de outubro.

A equipe do projeto é composta por professores, técnicos e discentes de graduação e pós-graduação da Universidade Federal de Pelotas. A atuação conjunta busca garantir rigor técnico, sensibilidade cultural e diálogo direto com as comunidades envolvidas.

O projeto reforça a importância de preservar a memória doceira como parte essencial da identidade da região. Ao reconhecer os detentores do saber, registrar histórias, mapear territórios e promover ações educativas, a iniciativa contribui para manter viva uma tradição que representa Pelotas e seus municípios vizinhos no cenário cultural do Rio Grande do Sul e do Brasil.

Informações: Museu do Doce

Postado por Portal Oficial do Pelotas Notícias @pelotasnoticias

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