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Junho Violeta debate proteção, dignidade e protagonismo da pessoa idosa em Pelotas

O Centro de Atenção à Terceira Idade da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), o Cetres, promoveu na última quinta-feira (25) o II Encontro e I Seminário do Junho Violeta, com o tema “Dignidade, Proteção e Protagonismo da Pessoa Idosa”. A atividade ocorreu no auditório das Promotorias de Justiça de Pelotas e reuniu profissionais, autoridades, representantes da rede de proteção e pessoas idosas para discutir prevenção, acolhimento e garantia de direitos.

O evento foi realizado por meio de uma parceria entre a UCPel, o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) e o Conselho Municipal da Pessoa Idosa. A proposta foi fortalecer o debate público sobre as diferentes formas de violência cometidas contra pessoas idosas e ampliar a conscientização da sociedade sobre a necessidade de proteção, respeito e cuidado com essa população.

A campanha Junho Violeta tem como principal objetivo combater e prevenir violações de direitos contra pessoas idosas. A violência contra esse público pode ocorrer de diversas formas e nem sempre é visível. Além da agressão física, também são consideradas formas de violência a violência psicológica, a violência financeira ou patrimonial, a negligência, o abandono e outras situações que afetam a dignidade, a autonomia e a segurança da pessoa idosa.

Durante o encontro, os participantes discutiram a importância da atuação conjunta entre instituições públicas, famílias, profissionais da saúde, assistência social, rede de proteção e sociedade civil. A complexidade dos atendimentos e a necessidade de identificação precoce dos casos foram pontos destacados ao longo da programação, especialmente diante dos novos desafios que também envolvem a era digital.

O 5º Promotor de Justiça Cível de Pelotas, Dr. André Barbosa, realizou a fala inicial das autoridades e reforçou a importância do enfrentamento à violência contra idosos por meio da articulação entre diferentes setores. Segundo a abordagem apresentada no encontro, a prevenção e a resposta adequada aos casos dependem de uma rede preparada para acolher, orientar e encaminhar as situações identificadas.

A atuação intersetorial foi apontada como fundamental para garantir que os casos de violência sejam percebidos e tratados de forma adequada. Muitas vezes, a pessoa idosa em situação de vulnerabilidade não consegue denunciar sozinha ou sequer reconhece que está sofrendo algum tipo de violência. Por isso, o olhar atento de familiares, vizinhos, profissionais de saúde, assistência social e instituições de proteção é essencial para romper ciclos de abuso, negligência ou exploração.

O evento também contou com a participação do promotor Rudimar Tonini Soares, da Promotoria de Defesa das Vítimas; da secretária municipal de Assistência Social, Roberta Melo; de Laura Leal, representando a Secretaria Municipal de Saúde; e do presidente do Conselho Municipal da Pessoa Idosa de Pelotas, Wili Wetzel. A presença de diferentes áreas reforçou a proposta de integração entre os serviços que atuam direta ou indiretamente na defesa dos direitos da população idosa.

Além dos debates institucionais, a programação incluiu apresentação musical da banda do Instituto de Menores Dom Antônio Zattera, trazendo um momento cultural ao encontro. A atividade contribuiu para aproximar os participantes e valorizar a convivência, a escuta e a participação social, elementos importantes quando se fala em protagonismo da pessoa idosa.

O tema escolhido para o seminário também destacou que a pessoa idosa não deve ser vista apenas pela perspectiva da proteção, mas também como sujeito de direitos, história, participação e autonomia. O protagonismo envolve garantir espaço de fala, participação nas decisões, respeito às escolhas e acesso a políticas públicas que promovam qualidade de vida.

A discussão sobre violência contra idosos ganha importância diante do envelhecimento da população e do aumento da necessidade de políticas públicas voltadas ao cuidado, à proteção e à inclusão. Em muitos casos, as violações acontecem dentro do ambiente familiar ou em relações de dependência, o que torna ainda mais importante a existência de canais de escuta, orientação e denúncia.

O Junho Violeta busca justamente ampliar essa conscientização. A campanha chama a atenção para a responsabilidade coletiva no enfrentamento às violências e reforça que o respeito à pessoa idosa deve estar presente nas famílias, nas instituições, nos serviços públicos e na convivência diária da sociedade.

Em Pelotas, o encontro serviu como espaço de reflexão e articulação entre instituições que atuam na defesa dos direitos das pessoas idosas. A realização do seminário fortalece o compromisso com a prevenção, com a proteção integral e com a construção de uma rede cada vez mais preparada para acolher denúncias, identificar situações de risco e garantir encaminhamentos adequados.

A mobilização também reforça que combater a violência contra pessoas idosas é uma tarefa permanente. Mais do que uma campanha de um mês, o Junho Violeta representa um chamado para que a sociedade reconheça, respeite e proteja aqueles que contribuíram e continuam contribuindo para a história das famílias e da comunidade.

Foto: Reprodução/MPRS

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