
Uma grande operação de segurança foi realizada na manhã desta segunda-feira (15) na Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ), em Charqueadas. A ação mobilizou cerca de 400 agentes e integrou a quinta etapa da Operação Convergência Nacional, iniciativa coordenada pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC) em parceria com o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), e a Brigada Militar.
O objetivo principal da operação foi intensificar o combate às organizações criminosas que atuam dentro e fora do sistema prisional. As equipes realizaram uma ampla revista nas dependências da unidade prisional em busca de materiais ilícitos, especialmente aparelhos celulares, chips telefônicos, drogas e outros objetos proibidos que possam ser utilizados por apenados para manter a comunicação com integrantes de facções criminosas em liberdade.

Segundo o Ministério Público, a Penitenciária Estadual do Jacuí é considerada uma das principais unidades do sistema prisional gaúcho e, nos últimos anos, tem sido alvo de diversas ações voltadas ao enfrentamento da criminalidade organizada. A operação desta segunda-feira faz parte de uma estratégia nacional para reduzir a influência das facções criminosas e interromper os fluxos de comunicação utilizados para ordenar crimes de dentro dos presídios.
Conforme divulgado pelo MPRS, as investigações apontam que muitos grupos criminosos utilizam celulares clandestinos para coordenar atividades ilícitas, incluindo tráfico de drogas, extorsões e outros delitos praticados fora dos estabelecimentos penais. A revista teve como foco localizar e retirar esses equipamentos de circulação, dificultando a atuação das organizações criminosas.
A ação também integra o Projeto Frequência Zero, iniciativa estadual do GAECO criada para neutralizar o uso de celulares dentro das unidades prisionais. O programa atua no mapeamento de sinais clandestinos, identificação dos aparelhos utilizados irregularmente e bloqueio definitivo dos dispositivos por meio do cancelamento do IMEI, impedindo que sejam reutilizados em qualquer parte do território nacional.

De acordo com o Ministério Público, o projeto busca atacar diretamente um dos principais instrumentos utilizados pelas facções para manter suas estruturas criminosas ativas mesmo com seus líderes presos. Além da apreensão dos aparelhos, o trabalho procura identificar possíveis rotas de entrada dos equipamentos e responsabilizar os envolvidos nos esquemas de fornecimento de materiais ilícitos para os detentos.
As autoridades também destacaram a utilização de tecnologias modernas para o monitoramento das atividades criminosas. Entre as preocupações está o uso de drones para transporte de celulares, chips e drogas para dentro dos presídios. Esse tipo de prática tem sido identificado em diferentes regiões do país e representa um desafio constante para os órgãos de segurança pública.




Dados divulgados pelo MPRS demonstram a dimensão do problema. Entre 2025 e abril de 2026, foram apreendidos na PEJ 646 celulares, 758 chips telefônicos e mais de 12 quilos de entorpecentes. Os números evidenciam a frequência das tentativas de ingresso de materiais proibidos e reforçam a necessidade de operações periódicas para manter a segurança da unidade.
Além da retirada dos materiais ilícitos, a operação busca produzir informações que possam auxiliar futuras investigações. Os objetos apreendidos serão analisados pelas autoridades competentes para identificar possíveis conexões com organizações criminosas e eventuais crimes praticados fora do sistema prisional.
O procurador-geral de Justiça e representantes das forças de segurança acompanharam parte dos trabalhos. Segundo o Ministério Público, a integração entre os órgãos envolvidos é fundamental para ampliar a eficiência das ações de combate ao crime organizado e fortalecer o sistema de segurança pública do Estado.
A Operação Convergência Nacional ocorre simultaneamente em diferentes estados brasileiros e tem como foco principal enfraquecer a atuação das facções criminosas dentro do sistema penitenciário. A expectativa das autoridades é que iniciativas como essa contribuam para reduzir a influência desses grupos e aumentar a segurança da população.
Os materiais eventualmente apreendidos durante a revista serão contabilizados e divulgados pelas autoridades após a conclusão dos trabalhos. O balanço final da operação deverá apresentar detalhes sobre os objetos encontrados e os desdobramentos das investigações.
Postado por Portal Oficial do Pelotas Notícias @pelotasnoticias
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